Cabeça de cuia - A opção inteligente

Publicidade

Publicado em 13/04/2013 às 13h23

Com convidados, ex-Charlie Brown Jr. lançam nova banda no 'Altas Horas'

Publicidade

Publicidade

Com convidados, ex-Charlie Brown Jr. lançam nova banda no 'Altas Horas'

Reprodução

A primeira apresentação da Banca perante um público foi mais uma grande homenagem ao legado do grupo de seus integrantes, o Charlie Brown Jr., do que o lançamento de alguma novidade. Realizada na gravação do programa Altas Horas, da TV Globo, nesta quinta-feira (11), a performance contou com uma série de convidados, entre eles Marcelo D2 e Dinho Ouro Preto, executando grandes sucessos do grupo, além do foco em discursos sobre Chorão, morto há pouco mais de um mês, em decorrência de uma overdose de cocaína. Na banda, Champignon assume os vocais, enquanto Marcão e Thiago Castanho seguem nas guitarras, Bruno Graveto na bateria, e Lena, a novata, passa a comandar o baixo.

"Isso aqui é muito estranho, faz muito pouco tempo que aconteceu (a morte), mas vamos enfrentar essa loucura com muita positividade. Vamos com a gente aí galera, que está f... este momento", disse à plateia Champignon, o novo líder do grupo, antes do início das filmagens. "Este é o começo de um novo ciclo."

Apesar da presença de outros convidados, como dos lutadores Minotauro e Minotouro e do apresentador Márcio Garcia, ficou claro o foco do programa em torno do quinteto de Santos. Nada mais natural. A repentina morte de Alexandre Magno Abrão chamou a atenção da imprensa nacional por seu caráter trágico - que interrompeu a carreira de um dos mais populares nomes da música brasileira dos últimos 20 anos -, e o retorno do grupo, lançado com exclusividade na atração, não poderia ser deixado para segundo plano.

Para cantar Tudo que Ela Gosta de Escutar, por exemplo, foi convocado Dinho Ouro Preto, que relembrou como conheceu o Charlie Brown Jr. em uma época de auge do grupo e de vacas magras para ele e seus companheiros de estrada.

"Lembro de vê-los juntos quando eu estava querendo voltar com o Capital Inicial. Era um momento em que era o inverso: nós estávamos na lama, tentando voltar, e eles totalmente por cima. Fomos à gravadora em que eles estavam para falar com o (produtor) Rick Bonadio. Nem sei se eles lembram disso, mas, com o tempo, nos tornamos amigos, fizemos festivais, programas, muita coisa", recordou o vocalista.

Filho único de Chorão, Alexandre também estava entre os convidados do Altas Horas. E seu comportamento ao longo das mais de três horas de gravação impressionou pelo jeito solto, talvez sereno até demais para um jovem que recentemente perdeu o pai. Disposto a espalhar o legado deixado para a música e o skate por seu genitor, o jovem enfatizou como participou ativamente das viagens do grupo nos últimos meses, citando os mais de 400 GB de registros em fotos e vídeos que fez dos cinco shows derradeiros do cantor.

A intenção principal de Alexandre, no entanto, é outra: dar continuidade ao trabalho de cineasta deixado pelo pai, morto precocemente aos 42 anos de idade: "fazer algo baseado na vida do meu pai eu até já pensei. Mas é impossível ser igual a ele. Então planejo completar suas obras, como (o filme roteirizado por Chorão) O Cobrador. Podem ter certeza de que vocês não irão ficar só vendo os rabiscos dele."

No telão, o skatista Bob Burnquist, amigo de anos do cantor, prestou sua homenagem lembrando de Chorão como um apaixonado pelo skate, responsável por levar o esporte a níveis nunca antes vistos no Brasil. "Ele sempre passou uma energia muito rara. Era muito sincero e honesto, às vezes até demais. Muitas vezes ele punha a cara pra bater e apanhava. Tínhamos uma amizade muito forte e o que ele fez pelo skate foi incrível", disse.

Segundo convidado a se apresentar com a nova Banca, Zeca Baleiro relembrou o fato de ter sempre tido uma carreira muito paralela à do Charlie Brown Jr., já que tanto o seu debut quanto o do grupo foram lançados na mesma época - algo que o levou, desde o início, a acompanhar de perto o trabalho do quinteto.

"Em 2000, gravei uma versão para (a música do grupo) Proibida pra Mim, que o Chorão falava que era até melhor do que a dele. E ele me chamou para cantá-la no casamento dele, algo muito especial", contou o músico, que participou do último trabalho ao vivo do Charlie Brown Jr., Música Popular Caiçara. "O Chorão, apesar de rock, sempre foi capaz de gestos incríveis. Comigo sempre foi um lorde", elogiou.

Outro amigo das antigas do vocalista, Marcelo D2 foi convidado para cantar Samba Makossa, faixa que gravou ao lado do grupo em 2003, para o Acústico MTV. "Conheci o Chorão muito antes do Charlie Brown, por causa do skate. Ele era um cara grande e forte, então, no começo, fiquei com medo de chamá-lo de Chorão e tomar umas porradas", lembrou sorridente o rapper, creditando ao esporte o grande elo de amizade entre ele e o cantor, apesar de ambos terem feito uma série de shows lado a lado, principalmente nos tempos em que D2 comandava o Planet Hemp.

Última convidada - e talvez a mais emocionada entre todos eles -, Negra Li lembrou da época em que conheceu Chorão, por volta de 98/99, quando ainda era uma ilustre desconhecida, parte do grupo de rappers RZO. A emoção não foi à toa. Sem Não É Sério, faixa de Nadando com os Tubarões, lançado em 2000 pelo Charlie Brown Jr., a cantora muito provavelmente não conseguiria o impulso que tanto necessitava para deslanchar sua carreira, premiada com certificados de Disco de Ouro e Platina no País.

"Ele foi nos ver tocar e depois passou no camarim para me convidar para cantar no disco novo do Charlie Brown. Era para eu participar de um rap, mas ele me deu uma fita e, quando ouvi Não é Sério, achei demais aquele reggaezinho", contou a cantora. "Ouvi no meu quarto e me inspirei com a parte da guitarra, em que podia desabafar tudo o que tava sentindo ali, para tanta gente. E aquilo repercutiu demais para mim."

Sem tirar os óculos escuros em nenhum momento, a participação de Negra Li no Altas Horas terminou com um fim um tanto melancólico, no qual ela revelou o que sentiu quando viu o hoje batizado Banca reunido nos corredores da TV Globo. "Assim que olhei a todos na hora do almoço deu vontade de chorar, porque era para ele estar aqui. E é uma pena que ele tenha ido embora sem que eu conseguisse contribuir mais", disse, com voz embargada.

A Banca promete uma grande turnê pelo Brasil em 2013, com participação de vários dos amigos de Chorão nos palcos. Entre o final do ano e o início de 2014, o grupo ainda pretende lançar um disco de inéditas, já com o novo nome e com a baixista Lena, que assume o posto das cinco cordas antes pertencente a Champignon, agora exclusivamente vocalista.

Antes, os órfãos do Charlie Brown Jr. terão a oportunidade de conhecer o último trabalho de Chorão em vida, ainda com o nome da banda que o consagrou. O disco, com 13 faixas classificadas como um espelho do difícil momento pelo qual ele passava, deve ser lançado no próximo mês, quando começa a turnê da Banca.

Fonte: Terra/PS

Enviar por E-mail

Comentários

carregando os comentários...