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Publicado em 20/11/2009 às 09h35

Morre em Joaquim Pires, no Piauí, padre Fred Solon

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Morre em Joaquim Pires, no Piauí, padre Fred Solon

Faleceu na madrugada de anteontem, em Joaquim Pires (Piauí), de infarto fulminante, o padre Fred Solon, aos 77 anos de idade. O jesuíta cearense foi agraciado, neste ano, com o Troféu Sereia de Ouro e somou, entre missões dentro e fora do Brasil, 51 anos de sacerdócio.

O falecimento do religioso surpreendeu a família, amigos, paroquianos e companheiros de sacerdócio. Segundo a irmã dele, Vânia Costa e Silva, o infarto aconteceu enquanto o padre caminhava, dentro de casa, entre 4h e 5h da manhã. "Ele se levantava cedo para ir à capela rezar", recorda-se, acrescentando que, até o início da tarde de ontem, não sabia quem havia encontrado o irmão, que era hipertenso e diabético.

Mesmo com a família menor, Vânia não deixa de agradecer a Deus por tudo. "Até porque guardo boas e inesquecíveis lembranças: a generosidade, a doação aos pobres, muita expansividade, a comunicação; adorava fazer e manter amigos".

Embora morasse em Joaquim Pires, padre Fred cumpria sua missão em vários lugarejos da região. Tanto que, ontem, ele foi homenageado com missa não só na Paróquia de Santa Doroteia, no município onde vivia, mas também a 134 quilômetros dali, em Parnaíba, de onde veio a caravana de despedida.

"Ele morava em um lugar muito pobre, por escolha dele. Saía de povoado em povoado para celebrar. Quando não tinha uma igreja, fazia a missa embaixo de uma árvore. Se o carro da paróquia não conseguisse atravessar os riachos, ele ia de jumento mesmo", explica a irmã. Foi assim não só no Piauí, mas em Barra e Amaralina (Bahia), nos anos de 1970; na então Favela do Lixo, no Jangurussu, em Fortaleza; e em Moçambique, na África, no fim dos anos de 1990.

Ao sair de lá, foi para o Maciço de Baturité, onde morou no Mosteiro, revitalizou o lugar, conseguiu até um elevador e construiu o Cruzeiro. O monumento fica em um morro 500 metros acima da habitação dos jesuítas e tem 20 metros de altura. Lá, ele também construiu as capelinhas com os 20 mistérios de quatro terços diferentes, ao longo da entrada que dá acesso ao Mosteiro.

O superior da casa, padre Antonio Baronio, conta que essa escolha mostrava o empreendedorismo de padre Solon, porque o comum é fazer, nesses espaços, a representação da Via-sacra.

Reconhecimento

No dia 29 de fevereiro de 2008, no Ideal Clube, em Fortaleza, o padre Fred Solon, rodeado por amigos, comemorou 50 anos de sacerdócio, data também festejada em Baturité. Em setembro último, foi agraciado com o Troféu "Sereia de Ouro", concedido pelo Sistema Verdes Mares.

Os outros contemplados foram a escritora e historiadora Isabel Lustosa, o desembargador Fernando Ximenes e o empresário Honório Pinheiro. À época, muito feliz com a homenagem, o padre disse que recebeu a indicação com surpresa. "Rapaz... Para mim é uma homenagem aos jesuítas a quem eu pertenço, aos sacerdotes e à Igreja também, porque, até hoje, só foi Monsenhor Camurça, o Cardeal Dom Aloísio e agora eu, Padre Fred. Eu acho muito pouco, tem tanto padre melhor do que eu. Mas já que fui eu, a gente tem de aceitar".

Leia mais sobre o padre Fred Solon

Fonte: Marta Bruno/ Paola Vasconcelos / Agência Sebrae / Diário do Nordeste

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