Nacional Quinta, 17 de Abril de 2014

Fazenda Esperança mostra caminhos para enfrentar o problema das drogas


23/01/2012 - 09h20min

As recentes cenas de combate à cracolândia no Centro de São Paulo mostraram em rede nacional a imagem da decadência de pessoas sujeitas ao vício de drogas e, de outro lado, a tremenda dificuldade do poder público em enfrentar o problema. O objetivo deve ser sempre trazer o viciado, ou a viciada, de volta ao convívio social, ao trabalho, ao estudo, à vida sem dependência de coisas como o crack. Mas fica cada vez mais evidente que não resolve expulsá-los de um espaço público, para em seguida ocuparem outra área, reproduzindo-se os equívocos dos dois lados.

O que precisa ser mostrado com a mesma ênfase é que existem caminhos possíveis para o enfrentamento dessa grande tragédia social e, aí sim, deveria ser aplicado todo o empenho do poder público. Um desses caminhos é a Fazenda da Esperança, que conseguiu a reabilitação de 80% das mais de 20 mil pessoas que passaram por suas comunidades terapêuticas em 28 anos de atividade. Essa organização acolhe pessoas com idade entre 15 e 45 anos e lhes dá moradia, alimentação, e atende a outras necessidades básicas, como trabalho e lazer. Para ser acolhido, o dependente químico precisa desejar e manifestar a vontade de ter uma vida livre de drogas e do álcool. O tratamento não é imposto, nem os internos ficam sujeitos a locais fechados por muros ou portões.

A primeira comunidade ganhou forma em Guaratinguetá, interior de São Paulo, espalhou-se pelo Brasil e já chegou a várias partes do mundo. Quando esteve no Brasil, em 2007, o papa Bento XVI visitou uma dessas fazendas em São Paulo – a comunidade das Pedrinhas – e fez elogios públicos à sua atuação. Ela consiste na formação de grupos que vivem um trabalho de recuperação para a vida e os depoimentos comoventes de jovens que saíram do fundo do poço graças a esse trabalho trazem mais esperanças nesse território de tão graves proporções e que dão a sensação de que o problema é insolúvel.

Alguns exemplos extraordinários podem ser anotados no Nordeste, como na Fazenda da Esperança Santa Faustina, no Piauí, onde os internos plantam milho, feijão, melancia, mamão, têm horta, fazem confecções e artesanato. Aqui mesmo, em Pernambuco, temos Fazenda da Esperança em Caruaru, onde 36 internos trabalham em hortas e produzem frutas. Em Garanhuns, a instituição traz esperanças para 80 internos na Fazenda da Esperança Santa Rosa, com trabalhos de padaria, produção de flores, adubos e material de limpeza. Outro centro de atendimento naquele município é voltado para mulheres, na Fazenda Santa Rita de Cássia, onde 50 internas produzem pão, bijuterias e artesanato.

O que deve chamar mais atenção em torno da Fazenda da Esperança é que se trata de uma ideia que está dando certo. Não em um ano ou dois, ou algumas pessoas. São milhares, em quase três décadas, o que lhe dá a condição de modelo a ser seguido, com a regularidade e a dimensão que exigem os focos de viciados que crescem nos grandes centros urbanos de todo o País, e a um custo orçamentário que seria insignificante para o tamanho do custo social que representam gerações destroçadas pelo vício.

Fonte: Jornal do Commercio


Palavras-chave: drgoas , fazenda da esperança


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