A demora no atendimento e as desconfortáveis instalações do prédio da agência do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) em Coelho Neto estão gerando reclamações. Para a lavradora Renata Ribeiro Souza, 32 anos, moradora do povoado Mocambo, o que ela mais detesta na hora de solicitar o auxílio-maternidade na agência é a espera.
Mesmo com hora e dia marcados pelo líder da associação comunitária do povoado para o atendimento, ela perde uma manhã inteira na roça e nos cuidados com os filhos. Às vezes, é obrigada a voltar no dia seguinte para receber o atendimento.
"Esse já é o meu quarto filho e toda vez é esse sufoco. E ainda tem mais, além de perder uma manhã, passo mais de três meses para receber o dinheiro. Para a gente que é pobre é muito humilhante", explica a segurada, carregando o filho de seis meses no colo.
A reclamação da lavradora é a mesma de diversos usuários dos serviços oferecidos pela agência do INSS no município. Como a demanda de atendimento é grande, - além de Coelho Neto, a unidade presta serviços para a população de Afonso Cunha, Duque Bacelar e Buriti -, há uma superlotação na sede da agência todos os dias.
"Demora muito, só nós sabemos como é ruim estar aqui, mas dependemos desse dinheiro. O jeito é ter paciência e esperar. Há horas que eu fico pensando que isso só acontece porque somos pobres, nunca vimos gente rica em INSS", comenta, com bom humor, a lavradora Maria Raimunda Bezerra Nunes, 69 anos.
BAIXA RENDA
Os atendimentos da agência são voltados quase que exclusivamente para a população de baixa renda. São eles que superlotam o pequeno espaço da agência de Coelho Neto. Há dias em que não há cadeiras para todos e, além disso, há a carência de funcionários. São apenas quatro, com o diretor da unidade, João Evangelista Ferreira, para atender mais de 100 pessoas diariamente.
"A gente sabe que há um número insuficiente de funcionários para atender a toda essa demanda, mas é o que dispomos no momento. Eu mesmo já fiz hoje (quarta-feira, 14) quase 60 atendimentos. Nossa expectativa é de que esse quadro seja ampliado brevemente, já que o Ministério da Previdência liberou a realização de concurso público para a contratação de novos funcionários", justifica o diretor.
Não é apenas o atendimento que está desagradando ao público. O espaço físico dá sinais de comprometimento. Umidade e infiltração são visíveis nas paredes. Boa parte dos processos, arquivados em caixas de papelão, estão ameaçados pelo mofo e umidade. Mesmo com tudo computadorizado, são informações importantes que podem se perder por causa da deterioração.
PERÍCIA
Para o profissional que realiza as perícias médicas no INSS, a situação é mais complicada. O espaço é inadequado para o atendimento, visto que mede pouco mais de um metro e meio de largura por três de comprimento. Ele se "espreme" entre as estantes onde estão encaixotados os processos, um computador, uma mesa com cadeira e mais três cadeiras extras em um mesmo espaço, cuja parede está marcada pelo mofo e infiltração.
O prédio onde funciona a sede da agência do INSS de Coelho Neto foi cedido pela Prefeitura desde o fim da década de 90. Desde então, ele não passou por reformas. João Evangelista Ferreira informa que outro prédio será alugado para abrigar os serviços da agência e que até janeiro de 2008 o problema será solucionado.
Fonte: O Estado do Maranhão
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