Nacional Domingo, 05 de Julho de 2009

Três noites de insônia aumentam o risco de diabetes, diz estudo

01/01/2008 - 16h21min

Três noites consecutivas de insônia ou três noites mal dormidas são suficientes para que o corpo reduza drasticamente sua capacidade de produção de glicose e aumente consideravelmente o risco de diabetes, segundo estudo divulgado na segunda-feira (31).

Por efeito da diminuição da tolerância à glicose, os resultados de três noites dormindo mal equivalem a ganhar entre 8 kg e 13 kg de peso, segundo o estudo dos pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Chicago.

Os cientistas acreditam que, se é possível que a capacidade do organismo de produzir glicose se adapte a um processo crônico de privação do sono, é provável também que os pobres padrões de sono nas pessoas mais velhas velhas e mais obesas possa incidir no desenvolvimento da diabetes.

'Estudos anteriores realizados por nosso laboratório demonstraram as conexões existentes entre os problemas do sono e as mudanças de apetite, as alterações metabólicas, a obesidade e o risco de diabetes', explicou a autora do estudo Eve Van Cauter.

'Estes resultados fortalecem estes vínculos e somam o papel desempenhado pela má qualidade do sono, que pode estar associada ao envelhecimento', acrescentou.

O estudo

Nove pessoas saudáveis e magras, com idades entre 20 e 31 anos, passaram cinco noites em um laboratório que estuda o sono. Elas foram dormir às 23h00 e acordaram às 7h30.

Os pacientes não foram perturbados durante as duas primeiras noites, mas, a partir da terceira, alto-falantes situados junto às camas emitiram sons de baixa intensidade cada vez que o cérebro dava mostras de entrar em sono profundo.

Os sons não eram suficientemente fortes para despertar os pacientes, mas rompiam 90% dos episódios de sono profundo dos voluntários.

Isso simulou o padrão do sono habitual nas pessoas mais velhas de 60 anos, que, no geral, dormem profundamente apenas 20 minutos por noite, enquanto que uma pessoa jovem alcança entre 80 e 100 minutos.

Insulina e glicose
Depois de ter dormido noites com perturbação do sono, a sensibilidade à insulina dos voluntários diminuía 25%, o que significa que necessitavam de mais insulina para dispor da mesma quantidade de glicose.

Mas a secreção de insulina não registrou aumento em oito voluntários. Em conseqüência disso, os níveis de glicose no sangue dos indivíduos aumentaram 23%.

Dado que, com o envelhecimento, se reduzem os episódios de sono profundo e os obesos também apresentam transtornos do sono, os resultados desse estudo 'sugerem que as estratégias para melhorar a qualidade do sono, assim como a quantidade, podem ajudar a prevenir ou atrasar o aparecimento de diabetes do tipo 2 em populações de risco', concluiu Van Cauter.


Palavras-chave: diabetes


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