Agora que as chances de Hillary Clinton se sagrar a candidata democrata à presidência parecem estar se acabando, alguns democratas voltam a falar na possibilidade de que ela seja candidata a vice de Barack Obama.
"É algo que este partido terá de pensar muito seriamente nas próximas semanas", disse o ex-deputado Harold Ford, presidente do Conselho da Liderança Democrata, em entrevista à MSNBC.
Na terça-feira, Obama consolidou ainda mais o seu favoritismo ao obter uma folgada vitória na Carolina do Norte e um resultado acima do esperado em Indiana.
Há cerca de dois meses, as especulações sobre uma chapa reunindo os dois rivais já haviam aparecido. Depois de vencer as primárias do Texas e de Ohio, a própria Hillary disse que o partido poderia estar "se encaminhando" para isso, mas com ela como candidata a presidente, e Obama como vice.
Para alguns democratas, uma chapa Obama/Hillary é uma idéia fascinante, pois poderia cicatrizar as feridas deixadas pela longa disputa interna e levar o partido unificado para a eleição de novembro contra o republicano John McCain.
Segundo uma pesquisa CBS News/New York Times divulgada na semana passada, a maioria dos eleitores de Obama e de Hillary seriam favoráveis a essa "chapa dos sonhos".
"As pessoas estão parando para se perguntar por que indicar alguém que tem 51% dos votos se dá para indicar uma chapa que tem quase 100% dos votos", disse Sam Aurora, porta-voz do auto-explicativo grupo Vote Both ("vote em ambos").
Mas Obama por enquanto evita especular sobre isso. O coordenador da campanha dele, David Plouffe, disse na quarta-feira a jornalistas que o senador no momento está concentrado em vencer as seis disputas restantes e obter os votos dos superdelegados (dirigentes partidários e ocupantes de cargos eletivos, que podem votar em quem quiserem na convenção partidária).
A campanha de Hillary também foi vaga, dizendo que o assunto ainda não foi discutido com o grupo rival. "A senadora Clinton diz que é prematuro discutir tal chapa. Não ouvi dela nenhum interesse nessa chapa", disse o porta-voz Howard Wolfson.
Um estrategista democrata que apóia Hillary, mas já considera sua candidatura inviável, duvida que a "chapa dos sonhos" faça sentido para ele ou para ela.
"Acho que, se Clinton fosse a indicada, ela não teria ninguém para escolher senão Obama", afirmou esse estrategista, pedindo anonimato. "Mas, da perspectiva de Obama, seu argumento é a mudança, e acho que ele faria melhor em escolher outra pessoa."
Do ponto de vista de Hillary, acrescentou essa fonte, "não sei se ser vice-presidente seria tão útil assim para o seu futuro político". "Acho que ela pode ter uma enorme influência no Senado por um longo tempo."
E um ex-assessor do governo de Bill Clinton disse duvidar que Obama queira levar o ex-presidente e a ex-primeira-dama de volta para a Casa Branca.
Essa fonte disse que Hillary, que como primeira-dama já foi encarregada de realizar uma ampla tentativa de mudar o sistema de saúde pública, também esperaria tarefas grandiosas como vice-presidente.
"Ela foi uma oponente formidável até agora. Dá para imaginar como seria tanta proximidade na Ala Oeste da Casa Branca entre o gabinete do vice-presidente e o Salão Oval o gabinete do presidente? Acho que ela estaria por lá um pouco além da conta."
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