Nacional Sábado, 20 de Março de 2010

Mulheres pagam até R$ 100 por companhia em bailes

25/05/2008 - 12h22min

Dançar de rostinho colado e rodopiar no meio da pista está na moda e faz sucesso. A agenda de bailes para a terceira idade vai de segunda a segunda, e basta ter disposição para acompanhar. Os salões chegam a reunir centenas de pessoas - não importa o horário, à tarde ou à noite. Mas as regras agora são outras. Para quem pretende dançar o baile inteiro, a dica é contratar o serviço dos dançarinos de aluguel. No Rio, dificilmente um baile não tem um profissional da dança mimando uma ou mais senhoras. Em vez de esperar um convite de um cavalheiro, que pode demorar muito, e mesmo não acontecer, elas se renderam aos dançarinos que cobram até R$ 100 para lhes dar a honra.

A maioria nos bailes ainda é de damas, que não se acanham em revelar que a diária de um dançarino varia de R$ 60 a R$ 100. E elas ainda arcam com as despesas da entrada e do consumo no bar. Mas Teresinha Domingues garante que o investimento vale a pena.

"Na minha idade, não há muita coisa para fazer. Tem gente que compra remédio, eu prefiro sair para dançar", conta a aposentada, que há quase um ano contrata Leonardo Gonçalves, 23 anos, para dançar. "Além de lindinho, ele dança bem e é uma excelente companhia."

Não basta só dançar

Para os dançarinos de aluguel, o ideal é ter clientes fixas e, de preferência, que freqüentem os bailes mais de duas vezes na semana, como Teresinha. Além de ser uma renda garantida - eles chegam a faturar de R$ 1,5 mil a R$ 3 mil por mês - a intimidade na dança aumenta.

Mas, para ser um dançarino e fazer uma boa clientela, não basta apenas conduzir bem a dama. Sonia Esteves explica o algo mais.

"Precisa ter pele, pegada. Sem isso, não tem como", entrega a assistente social, que passou a freqüentar os bailes depois que se separou, há 10 anos. "Também tem que ser educado, cheiroso, com uma boa aparência..."

Sonia e Lais Coslinsky são figuras habituais nos bailes. Pelo menos duas vezes por semana, elas se encontram para dividir os serviços de um dançarino. E, durante esses anos, Sonia não esconde que protagonizou diversos romances.

"A gente começa a dançar e aí rola. Quem diz que não acontece nada está mentindo. É lógico que tem envolvimento."

E o dançarino Jorge Luiz Oliveira confirma:

"Trocamos uns beijos, mas ela não quis nada sério", conta o dançarino, que conheceu Sonia nos bailes. "Chamei até para morar junto, mas ela recusou."

Sônia se diverte lembrando do romance que teve com Jorge. Hoje, ela só não se aproxima mais do rapaz porque uma outra cliente dele ficou com ciúme e foi tirar satisfação.

"Vê se pode? Ela está aqui hoje, não quero nem conversa. Tem cabimento arrumar briga por isso?"

E os dançarinos confirmam o ciúme das damas. Bruno Calassara também tem clientes fixas e conta que passou por constrangimentos.

"Certas mulheres são muito ciumentas e às vezes pagam até o dobro para não sairmos com outra cliente. Tem competição. De algumas, até me afastei."

Fonte: Carolina Bellei - JB


Palavras-chave: dancarino de aluguel


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