Quem for presentear no próximo Dia dos Namorados, comemorado em 12 de junho, deve preparar o bolso. A tributação sobre os presentes mais comuns trocados nesta data pode chegar a quase 80%, segundo uma pesquisa realizada pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário).
Isso significa que, se o produto escolhido for um perfume importado (que possui uma carga tributária de 78,43%) no valor de R$ 100, o consumidor irá pagar R$ 56,86 apenas de impostos.
“Todos os anos, o governo aumenta a arrecadação de impostos. Na gestão de José Sarney, em meados de 1986, a carga tributária sobre o PIB (Produto Interno Bruto) era de 25%; no atual governo, já é de 36%”, afirma o diretor-técnico do IBPT, João Olenike.
O estudo elaborado pelo IBPT analisou a incidência de tributos nos 25 produtos mais vendidos no Dia dos Namorados. Logo atrás do perfume importado, o primeiro do ranking, está o videogame Playstation, com 72,18%. Em seguida, aparece o perfume nacional, com 69,13%.
Em um simples buquê de flores estão embutidos 17,71% de impostos. No preço final de roupas (34,67%), sapatos (36,17%), telefone celular (39,80%), chocolate (30,80%), CD (37,88%) e DVD (44,20%) também incide uma grande quantidade de impostos.
Mesmo pagando uma alta taxa de tributos, o diretor-técnico do IBPT não acredita que isso irá desestimular as pessoas a presentear a pessoa amada. “Não acho que haverá queda no consumo, pois a grande maioria das pessoas não sabe o quanto paga de tributos quando faz uma compra”, acredita. E ressalta: “quem arca com a tributação é sempre o consumidor final”.
Como não há o que fazer para fugir do Fisco, a única solução é pesquisar muito antes de ir às compras. “O que a pessoa pode fazer é pesquisar preços e ir atrás de liquidações. Uma boa sugestão é presentear com livros, que possuem ‘imunidade’ aos impostos. A Constituição brasileira proíbe a cobrança de taxas sobre esse produto”, recomenda Olenike.
Carga tributária - No Brasil, são cobrados mais de 60 tributos, entre impostos, taxas e contribuições. Os principais são ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), o PIS (Programa de Integração Social), a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
Um estudo elaborado pelo IBPT, divulgado em abril, estima que cada cidadão do País trabalhou até o dia 27 de maio deste ano somente para pagar impostos. A pesquisa revelou ainda que o brasileiro nascido em 2008 trabalhará metade da sua vida para pagar tributos – levando em consideração uma expectativa de vida de 72 anos.
Fonte: Carolina Lopes - Diário OnLine
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