Os crimes de abuso financeiro são atualmente os que mais atingem os idosos brasileiros. Esta foi uma das constatações dos participantes do 6º Fórum de Políticas Públicas para a Terceira Idade – A Violência contra a Pessoa Idosa, promovido nesta segunda-feira pela UnATI/Uerj (Universidade Aberta da Terceira Idade/ Universidade do Estado do Rio de Janeiro). São recorrentes as situações de idosos que têm suas pensões e aposentadorias gastos por familiares, cartões magnéticos retidos por parentes ou são obrigados a contrair empréstimos consignados a pedido de filhos ou outros integrantes da família, que acabam não pagando as dívidas geradas pelo empréstimo.
Integrante da comissão permanente do idoso da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, a vereadora Cristiane Brasil, uma das debatedoras do Fórum, apresentou estimativas alarmantes. Dos 3.137 atendimentos prestados pela comissão até junho deste ano, 232 configuraram violência contra o idoso, sendo que 32% - a maioria deles - dizem respeito à apropriação indevida de pensão ou aposentadoria. A pior notícia é que 95% dos autores do abuso são parentes das vítimas.
- Podemos observar claramente que o afeto que estas famílias destinam a seus idosos está relacionado à pensão recebida por eles. Isto está de acordo com dados que mostram que, atualmente, 40% dos aposentados são os responsáveis por sustentar financeiramente suas famílias. Isso sem, é claro, ter voz de comando na casa. Muitas vezes esses idosos não podem nem mesmo dizer o que desejam fazer do próprio dinheiro – revelou a vereadora, de acordo com a assessoria.
Outra debatedora do Fórum, a delegada Catarina Noble, da Delegacia Especial de Atendimento às Pessoas da Terceira Idade (Deapti), confirmou a forma mais em voga de violência contra o idoso. Segundo a delegada, a retenção de cartão magnético, o abandono material e a indução a empréstimos irregulares são as principais infrações cometidas contra pessoas idosas, ao lado de lesões corporais, maus tratos e ameaças.
- O idoso precisa ter cuidado antes de abrir o seu coração. É claro que nem todas as pessoas são más. Pelo contrário, a maioria é gente de bem, mas o mundo está muito diferente e é preciso ser precavido – alertou a delegada.
Diante deste quadro, a pesquisadora da área de Geriatria e Gerontologia Laura Machado destacou a importância da mobilização em torno das denúncias de situações de violência contra os idosos.
- Nós, como cidadãos, temos a obrigação de denunciar todo tipo de violência, seja à delegacia especializada, seja ao Ministério Público, seja à comissão permanente do idoso. Até mesmo reações menos drásticas, como conversar com os envolvidos na situação, são válidas. A melhoria deste quadro depende de todos nós – defendeu Laura Machado, segundo a assessoria.
Após a exposição dos debatedores, o Fórum, comandado pela assistente social Sandra Rabello de Frias, coordenadora dos Projetos de Extensão UnATI/Uerj, foi aberto aos ouvintes. O professor Renato Veras, diretor da UnATI, destacou o surpreendente interesse que o tema da violência passou a ter para os idosos.
- Até bem pouco tempo, não poderíamos imaginar que este tema seria tratado em um fórum destinado à terceira idade. Infelizmente, os casos de violência contra o idoso estão se tornando cada dia mais comuns – disse Veras, antes de anunciar que a UnATI prepara uma grande festa para a comemoração dos seus 15 anos de atividades, em agosto.
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