Nacional Domingo, 05 de Julho de 2009

Bull Dancing retorna aos palcos do TMJP2 e de São Paulo

07/07/2008 - 13h43min

Ao desconstruir elementos folclóricos, Bull Dancing, de Marcelo Evelin/demolition inc., aborda questões atuais do ser humano, desnudando confrontos individuais e sociais. 

“Bull Dancing tem o bumba-meu-boi como ponto de partida, reconhece elos comuns entre povos, inspirando-se no imaginário popular brasileiro e deflagrando nosso papel no mundo atual”, explica Marcelo, responsável pela direção, concepção e coreografia do espetáculo, que em março deste ano foi apresentado em Amsterdã, a convite do Teatro Frascatti. Agora, Bull Dancing está de volta aos palcos da cidade, com apresentação única no Teatro Municipal João Paulo II, na quinta-feira, 10, às 20h, de onde segue para São Paulo.

Fechando a programação da oitava edição do Panorama SESI de Dança, nos dias 12 e 13 de julho no Teatro Popular do SESI, em São Paulo, o espetáculo foi selecionado devido a sua escrita própria, desenvolvida de maneira autêntica, autoral de existir em cena. De acordo com a assessoria do evento, nove trabalhos de todo país foram selecionados, todos assinados por artistas comprometidos com a evolução da arte, criando linguagens, rompendo regras, expandindo fronteiras. Em suas obras, forma e conteúdo se fundem num processo instigante, profundo, no qual um desafia o outro a explorar seus limites de criação.

O bumba-meu-boi tradicionalmente adquire contornos de sátira, comédia e tragédia enquanto narra a estória da morte e ressurreição de um boi, acompanhado de danças, cantos e música percussiva. Essa representação popular é celebrada em quase todas as regiões do Brasil como um ritual de grande importância social, política e cultural.

O espetáculo revisita as origens desse rito popular a partir de uma desconstrução dos elementos folclóricos originais, revirando as entranhas do corpo, tratado no espetáculo como sujeito e agente, transporte em si da sobrevivência dessa tradição através dos tempos e condutor de pensamentos e ações que geram formas e significados essenciais até os dias de hoje. Na peça, o corpo serve como metáfora para esse boi sagrado e profano em cada um de nós: visceral, violável, transmutável, temporal, único e universal. 'Durante Bull Dancing, brinco com símbolos que para os brasileiros são comuns, mas que não são meus', apontou a eslováquia Monika Haasova, que integra o elenco e encontra-se em Teresina pela quarta vez.

Em cena, os intérpretes incorporam suas próprias estórias de violência e fragilidade, de desejo feroz e dúvida cruel, de alegrias e esperanças triviais, em um campo de batalha entre o animal e o racional.  'A contundência com que os atores de Bull Dancing) fazem emergir questões nunca abordadas quando o assunto é “de raiz”, como a sexualidade ou o desejo, por exemplo, nos faz ver que a cultura popular pode muito mais do que o que habitualmente se faz em seu nome', disse Helena Katz, colunista de O Estadão. Parte de uma trilogia sobre a identidade cultural e do Nordeste, Bull Dancing foi precedido por “Sertão”, também de Marcelo Evelin, que recebeu o prêmio de melhor espetáculo de Dança do ano de 2006 pela Associação Paulista de Críticos de Arte-APCA.

Bull Dancing é um projeto de colaboração entre o Brasil e a Holanda, uma co-produção entre o TMJP2 - Centro de Criação do Dirceu e o Teatro Hetveem (Amsterdam). A estréia de Bull Dancing aconteceu em Teresina e São Luís-MA em agosto/2006. Na sua montagem, o espetáculo contou com a subvenção da Lei A. Tito Filho (2006) da Prefeitura Municipal de Teresina/Fundação Cultural Monsenhor Chaves e ainda com o Prêmio Klauss Viana de Dança- FUNARTE/Ministério da Cultura. Circulou por sete estados brasileiros em 2007 e foi eleito um dos 10 melhores espetáculos do ano pelo jornal O Globo.

Os ingressos em Teresina custarão R$ 5 (meia-entrada) e R$ 10 (inteira), havendo um número de cortesias disponível para a comunidade do Grande Dirceu, devendo ser recolhida pelos interessados no dia do espetáculo até às 18h, na secretaria do teatro.
 
FICHA TÉCNICA
- Concepção, coreografia, direção: Marcelo Evelin / Criação e interpretação: Sérgio Matos, Josh S., Fábio Crazy da Silva, Monika Haasova, Fabian Santarciel, Márber Ramos / Música: Josh S., Sérgio Matos, Fábio Crazy da Silva, Boi de São Simão e Johan Sebastian Bach / Dramaturgia: Loes van der Pligt (Holanda) / Assistência de direção: Alex Guerra / Iluminação: Hein Drost / Direção de Arte: Urias de Oliveira e Marcelo Evelin / Desenho: Gabriel Archanjo / Maquinaria: Leonardo Silva / Sonorização: Washington Jr / Produção Executiva e Administrativa: Regina Veloso e Klayton Amorim .

'Evelin mostra de forma maravilhosa como tradicoes culturais podem ser abordadas em uma danca-teatro viva e contemporânea. Ele segue o ritual em passos largos, deixando de lado o aspecto folclorístico.' Mirjam Van Der Linden - jornal Volkskrant/Holanda

Fonte: Biá Linhares


Palavras-chave: marcelo evelin , teatro , danca


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