Policial Sexta, 29 de Agosto de 2008

Naji Nahas tinha informações privilegiadas do Fed, afirma PF

09/07/2008 - 03h41min

O empresário Naji Najas, preso nesta terça-feira na Operação Satiagraha, deflagrada pela PF (Polícia Federal), teria como fonte um funcionário do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) que lhe passava informações privilegiadas. O dado foi confirmado pela PF em entrevista coletiva à imprensa.

Segundo relato do juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, no documento que determina as prisões, Nahas teria como saber, com antecedência, a decisão do Fed acerca da taxa básica de juros do país.

A operação da PF investiga o suposto desvio de verbas, corrupção e lavagem de dinheiro. A PF já prendeu 17 pessoas, de 24 mandados de prisão expedidos, além de 56 de busca e apreensão. Entre os presos estão o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.
 
"Pessoa possivelmente estando em New York teria antecipado para Naji Robert Nahas a queda da taxa de juros, controlada pelo Fed americano, em até 0,5%. No dia 18.09.2007, esta informação, segundo a autoridade policial, teria se confirmado na medida em que "os mercados financeiros de todo o planeta reagiram com surpresa a queda de 0,5% da taxa de juros americanos'", afirma o juiz.

O delegado da PF Protógenes Queiroz, responsável pela investigação, disse que Najas tinha um "megacontato" no Fed, e que a descoberta de tal informação causou surpresa.

Queiroz afirmou que durante a investigação foram encontrados indícios de que Nahas, com informação privilegiada, manipulava ganhos também o mercado financeiro internacional.

Tupi
A decisão do juiz Sanctis menciona ainda que Naji Nahas, "aparentemente", sabia da descoberta do megacampo de petróleo de Tupi, na bacia de Santos, três meses antes da divulgação. Em conversa interceptada pela Justiça, Nahas falava sobre um portifólio de informações privilegiadas que teria.

"Anote-se, também, os diálogos entre Naji Robert Nahas e Miguel, no qual o primeiro solicita para comprar mais ações, embora Miguel o tenha alertado que estariam caindo, ao que Nahas diz para fazer o que ele estaria mandando e para não comentar nada", afirma o texto.

A Folha Online procura o advogado de Naji Nahas desde a manhã de hoje, mas não obteve retorno.


Perfil
Nascido no Líbano e naturalizado brasileiro, o megainvestidor Naji Nahas chegou ao Brasil na década de 70, depois que casou com uma brasileira. Em 1989, foi acusado de ser um dos responsáveis pela quebra da Bolsa de Valores do Rio.

Apesar da acusação, Nahas foi inocentado seis anos depois. Também foi envolvido na disputa societária da Brasil Telecom ao trabalhar como consultor da Telecom Itália --que foi uma das interessadas na compra da companhia telefônica brasileira.

Investigações

Segundo a PF, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.

Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.

Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.

Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).

Os presos na operação devem ser indiciados sob as acusações de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Eles serão transferidos para São Paulo, onde permanecerão na carceragem da Superintendência Regional da PF.

Fonte: Folha Online



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