O deputado Clodovil Hernandes (PR-SP) protocolou ontem na Mesa da Câmara proposta de emenda constitucional que propõe o corte de 263 vagas na Câmara, reduzindo o número de deputados dos atuais 513 para apenas 250. Clodovil alega que o corte permitiria uma economia grande de gastos e ainda reduziria o nível de corrupção no país.
A proposta foi subscrita por 279 parlamentares (o mínimo é de 171 assinaturas), muitos deles expressivos e experientes como o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), o ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo (PCdoB-SP), os líderes Luciano Castro (PR-RR) e Fernando Coruja (PPS-SC), além de nomes como Miro Teixeira (PDT-RJ), Ciro Gomes (PSB-CE) e Sarney Filho (PV-MA).
Clodovil lembra que, hoje, cerca de 20% dos deputados estão em campanha, e que a Câmara funciona perfeitamente com menos da metade da atual composição, se houver realmente interesse de trabalhar. Reconhece que muitos dos que assinaram a proposta podem retirar o apoio numa votação no plenário:
- Sou principiante, mas não sou burro. Sei que a maioria não assinou para valer. Mas não quero nem saber, o que quero é mexer na fogueira. Debaixo das cinzas sempre tem brasa.
Mas Clodovil pode se surpreender. Miro e Fernando Coruja elogiam a iniciativa, afirmando que pode ser o primeiro passo para uma dura e difícil discussão sobre as reformas do Estado e dos poderes. Miro lembra que é de uma época em que a Câmara funcionava "magnificamente" com 270 deputados:
- Haverá muita resistência e dificuldades, mas as discussões sobre as Diretas Já não começaram num dia e terminaram no outro, demoraram 10 anos. Isso tem que ser discutido.
A proposta diz que a Câmara será composta por 250 representantes do povo, eleitos pelo sistema proporcional ao número de habitantes, em cada estado, território e o Distrito Federal. Cada território eventualmente criado só terá direito a um representante. Clodovil cita como exemplo o estado do Amapá:
- Tem 600 mil habitantes, oito deputados, três senadores, assembléias, câmaras, órgãos federais e do governo estadual. O estado inteiro mama na vaca profana do governo.
Clodovil também critica a péssima formação de alguns colegas e diz que se aprovada, a proposta provocaria uma seleção natural:
- Tem deputado aqui que fala "nóis vai fazer" isso ou aquilo. É um absurdo! Tem que reduzir mesmo, não tem jeito. Isso aqui é um metrô muito pequeno que sai do nada para lugar algum, mas todo mundo quer entrar.
Fonte: Maria Lima - O Globo
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