A espera é longa para quem precisa de uma cirurgia na rede pública do Piauí. E a fila não pára de crescer.
Há mais de um ano, a direção do maior hospital público do Piauí, o Getúlio Vargas, proibiu o acesso de jornalistas. Com uma câmera escondida, a reportagem flagrou o drama dos pacientes em macas até no pátio do hospital.
Esses pacientes enfrentam o calor de 35ºC durante o dia e o frio à noite, ao ar livre.
Além da falta de estrutura, parentes das pessoas internadas dizem que são vítimas de extorsão de funcionários do hospital.
A dona-de-casa Claudia DonAna da Silva veio do interior do Maranhão acompanhando o marido, que há um mês espera por uma cirurgia no pronto-socorro do Getúlio Vargas. "Os médicos vão lá e só dizem que é para aguardar, é para aguardar e não tem nem previsão", afirmou Cláudia.
A situação do marido da dona-de-casa é igual à de centenas de outros pacientes que estão internados no hospital.
"O paciente está jogado em uma mesa lá. Perna quebrada. Foi obrigado botar uma atadura, pagou R$ 10 para botar uma atadura. E se for para botar em cima da mesa, tem que pagar R$ 10 pra botar em cima da mesa", denunciou o agricultor Vanderson dos Santos.
Lista de espera tende a aumentar
A direção do hospital disse que o paciente deveria encaminhar a denúncia de extorsão ao serviço de ouvidoria. Segundo o hospital, a lista de espera por cirurgia tende a aumentar.
"O que precisa com a maior urgência é abrir o pronto-socorro de Teresina para que essas cirurgias traumatológicas e neurológicas sejam resolvidas lá e guarde o hospital Getúltio Vargas para as cirurgias de alta complexidade", explica Leonardo Eulálio, coordenador da Clínica Ortopédica do HGV.
O Hospital de Urgência de Teresina foi inaugurado há dois meses e está equipado para atender pacientes em estado grave, como vítimas de acidentes.
São 289 leitos, que poderiam receber parte dos pacientes que está nos corredores do pronto-socorro do outro hospital. Porém, faltam médicos ortopedistas.
A Secretaria Estadual de Saúde do Piauí declarou que vai tomar as providências legais assim que a denúncia de cobrança de serviços dentro do hospital for registrada.
Fonte: O Globo
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