Uma pesquisa com a população brasileira sobre o Acidente Vascular Cerebral - AVC, chamado popularmente de derrame cerebral, publicada em fevereiro deste ano na revista Stroke, principal periódico científico internacional da área, mostra resultados alarmantes: 90% dos brasileiros diz não ter nenhum tipo de informação sobre o AVC. "Existe muito desconhecimento sobre a doença no Brasil, que não tem recebido a atenção necessária das autoridades", afirma o neurologista Dr. Octávio Marques Pontes Neto, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo (FMRP/USP). Dr. Pontes Neto coordenou o estudo, com a colaboração de pesquisadores da Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal do Ceará e Escola de Medicina e Saúde Pública da Bahia.
Segundo o especialista, a situação se agrava, ainda, pois a maioria dos pacientes procura muito tarde o atendimento médico por desconhecimento da doença e de seus sintomas iniciais, o que dificulta o reconhecimento e encaminhamento rápido para um hospital adequado.
No estudo, foram entrevistadas 801 pessoas em locais públicos de São Paulo (capital), Ribeirão Preto, Salvador e Fortaleza. "Descobriu-se que o AVC ainda não tem uma denominação adequada e unificada. Foram citadas 28 diferentes denominações para a doença, entre elas congestão, AVE e passamento", conta Pontes Neto. "Somente 15,6% dos entrevistados sabiam o que significa a sigla AVC", completa.
Segundo a pesquisa, 35% dos entrevistados sabiam o número do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU (192) e 2% citaram o número 911, de emergência nos Estados Unidos. Outro dado importante é que somente um dos entrevistados fez referência ao tratamento trombolítico (que desobstrui a artéria cerebral entupida, restaurando o fluxo sanguíneo cerebral e normalizando o fornecimento de oxigênio e nutrientes ao cérebro), principal opção de tratamento nas primeiras três horas do início dos sintomas de AVC.
AVC
A principal causa de incapacidade funcional no mundo e de morte por causas cardiovasculares no Brasil. A Organização Mundial de Saúde - OMS estima que mais de 5 milhões de pessoas morram a cada ano por causa de acidentes cardiovasculares. Segundo a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, o AVC é responsável por 30% dos óbitos registrados no País.
Mesmo os pacientes que sobreviveram a um AVC correm riscos: cerca de 50% morrem após um ano, 30% necessitam de auxílio para caminhar e 20% ficam com seqüelas graves.
Mas o especialista afirma que boa parte destas mortes e seqüelas poderia ser evitada com medidas de prevenção, como dieta alimentar (ingerir pouco açúcar, sal e gordura), praticar exercício físico regularmente, não fumar, beber moderadamente e controlar a pressão alta, o colesterol e o diabetes, além de diminuir o estresse.
Na maioria dos casos, o AVC é causado pelo entupimento de uma artéria cerebral por um coágulo, o que impede que o sangue chegue adequadamente a regiões importantes do cérebro, causando sintomas neurológicos.
A pessoa que está tendo um derrame pode apresentar os seguintes sinais:
· Diminuição ou perda súbita da força na face, braço ou perna de um mesmo lado do corpo;
· Alteração súbita da sensibilidade com sensação de formigamento na face, braço ou perna de um lado do corpo;
· Perda súbita de visão em um olho, eventualmente nos dois olhos;
· Alteração aguda da fala, incluindo dificuldade para articular e expressar ou para compreender a linguagem;
· Dor de cabeça súbita e intensa sem causa aparente;
· Instabilidade, vertigem súbita intensa e desequilíbrio associado a náuseas ou vômitos.
Tratamento
Os medicamentos "destruidores de coágulos" diminuem os riscos de seqüelas causadas pela doença na fase aguda, melhorando a qualidade de vida do paciente. Neste grupo de medicamentos, denominados antiagregantes plaquetários, estão o ácido acetilsalicílico e o cilostazol, que tiveram sua eficácia protetora comprovada por vários estudos.
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