O Programa Permanente de Convivência com o Semi-árido (Casa do Semi-árido) completa, nesta quarta-feira (16), cinco anos e tem desempenhado trabalhos significativos numa região que precisa de um olhar diferenciado devido, principalmente, ao problema da falta d’água na região.
De acordo com a coordenadora da Casa do Semi-árido, Lúcia Araújo, o desafio proposto pelo governador Wellington Dias, ao criar a pasta, era no sentido de implementação de políticas públicas apropriadas à convivência com o semi-árido articulando as participações dos vários órgãos do Estado, assim como a sociedade civil.
Entre as ações desenvolvidas pela Casa do Semi-árido está a viabilização de construção de cisternas, que vem sendo executado desde 2004, em parceria com o Programa de Combate à Pobreza Rural (PCPR) e o Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), com apoio do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).
Foram construídas, até o momento, 6.405 cisternas em 86 municípios piauienses, sendo que a meta é chegar a 8.500 até o final de julho deste ano. Segundo a coordenadora da Casa do Semi-árido, o retorno dessa ação tem sido imediato. “As famílias têm estado satisfeitas com as cisternas, pois elas oferecem água de qualidade para consumo humano, e ainda tem outros benefícios como redução das doenças adquiridas pelo consumo de água de péssima qualidade. As mulheres passaram a disponibilizar mais tempo para descanso, lazer, cuidados com a família e trabalho, além de reduzir os gastos com as despesas d’água”, diz Lúcia Araújo.
Outro sistema que veio facilitar a vida dos moradores do Semi-árido foram a introdução do sistema de barraginhas, implementada em parceria com a Cootapi e Emater, junto a 12 municípios com 3.600 barraginhas em cada um deles.
As barraginhas fazem a captação de água de chuva, evitando erosões, e a água fica infliltrada no solo, evitando evaporação e oferecendo umidade no solo e mais capacidade produtiva.
Para Lúcia Araújo, é gratificante ver o resultado das várias ações que vem sendo desenvolvidas no Semi-árido. “Estamos cumprindo nosso papel fazendo articulações com vários órgãos do Estado e sociedade civil, o que resulta nas várias ações executadas como Educação Contextualizada, Banco de Proteínas, Selo Unicef, entre outros”, diz, lembrando que cada projeto desse tem sua peculiaridade como, por exemplo, a Educação Contextualizada, que desenvolveu um trabalho de sensibilização de multiplicadores regionais de educação dentro do Semi-árido, e ainda realizou oficinas pedagógicas além da produção do livro Semi-árido piauiense - vamos conhecê-lo? A articulação do Pacto Um Mundo para criança e adolescente no Semi-árido, em apoio ao Unicef - Município Aprovado, onde os municípios têm participado implementando políticas públicas para mudança de qualidade de vida da criança e adolescente do Semi-árido.
Atualmente, está sendo elaborado, em parceria com a Secretaria de Planejamento (Seplan), um projeto junto ao Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida), que tem entre seus objetivos contribuir para a erradicação da pobreza no Semi-árido piauiense. O valor previsto para o projeto é de R$ 51 milhões, que será aplicado em 5 anos e abrangerá os territórios Vale do Sambito, Vale do Rio Guaribas, Serra da Capivara e Vale no Canindé.
O Programa Permanente de Convivência com o Semi-Árido está incluído na proposta da mini-reforma administrativa do Governo do Estado onde passará para a condição de coordenadoria.
O projeto da reforma foi aprovado, no último dia 14, em reunião conjunta das Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Administração e Finanças (CAF), da Assembléia Legislativa do Piauí.
Para Lúcia Araújo a criação da coordenadoria de convivência com o Semi-árido se realiza num contexto importante para o Semi-árido piauiense. “O contexto é de muita sensibilização e construção de identidade semi-árida, resultado de muitos trabalhos de formação, mobilização e difusão do Semi-árido”, diz, ressaltando que, com a coordenadoria, estão sendo criadas mais condições para dar maior viabilidade e avanços dos trabalhos, além de ser ampliado o quadro especializado, também é organizada para a gestão direta, aumentado o potencial de implementação das políticas públicas apropriadas, dando ao programa articulação fortalecida, planejamento próprio, captação de recursos e execução, tornando-se mais viável o fortalecimento e avanços no apoio a iniciativas e efetivação de planejamento.
Fonte: Maura Duarte
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