Educação Quarta, 03 de Dezembro de 2008

Educação em tempo integral: será a solução? (I)

17/07/2008 - 22h01min

Prof. Francisco Soares Santos Filho[*]

O Governo Estadual alardeia aos quatro cantos o lançamento de educação em tempo integral para crianças e adolescentes no âmbito do Estado do Piauí como uma possível solução para os problemas relacionados ao setor.

O projeto não é tão novo assim, já que nos anos 80 o governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, fez surgir prédios imensos, alguns sabiamente utilizados para outras finalidades, como o sambódromo da Marquês de Sapucaí, para abrigar crianças em regime de tempo integral – os CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública). As escolas ainda funcionam no Rio, algumas bem engajadas no processo educacional, outras sem tanto sucesso, mas promovendo através de projetos paralelos o desenvolvimento de capacidades para integralização de conteúdos teóricos e desenvolvimento de outras aptidões como arte e esporte. A idéia de Brizola (na verdade o endosso à idéia de Darcy Ribeiro, materializada por Oscar Niemayer) foi copiada por Fernando Collor com a construção dos CIACs – Centros Integrados de Apoio à Criança, que por força do impeachment se transformaram em CAICs – Centros de Atendimento Integral à Criança, na era Itamar, espalhados em todo o Brasil. Verdadeiros elefantes brancos, aliás, verde-amarelos.

Ainda na década de 1980 o projeto foi trazido para o Piauí pelas mãos do então prefeito de Teresina Wall Ferraz que implantou quatro grandes centros de atenção integral, ou centros de educação comunitária: Mocambinho, Parque Piauí, Dirceu Arcoverde e "Eurípides de Aguiar". A idéia era a de desenvolver atividades que permitissem a inserção de outros núcleos de conhecimento que não fossem os meramente formais. O aluno dispunha de oficinas de iniciação para o trabalho (horticultura, marcenaria, metalurgia, corte e costura) e de iniciação à arte (música, teatro, artes plásticas), além de apoio pedagógico com reforço escolar nas disciplinas em que o aluno estivesse menos apto. Como permanecia integralmente na escola, o aluno recebia três refeições diárias. Os governos que sucederam ao de Wall não apostaram na idéia.

Agora a idéia foi reacesa, como uma das soluções para o problema educacional no Estado. Vamos ver se ganha corpo ou se vira mais uma solução sem solução ao problema da educação.

[*]  Francisco Soares Santos Filho é professor assistente II da Universidade Estadual do Piauí e membro do Conselho Estadual de Educação do Piauí (fsoaresfilho@gmail.com).



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