O ex-promotor-geral dos EUA John Ashcroft afirmou nesta quinta-feira considerar que as técnicas de simulação de afogamento para propósitos "valiosos" não podem ser considerados tortura, durante uma audiência na Comissão Judiciária da Casa dos Representantes (Congresso).
"Os relatos que eu ouvi, e eu não tenho nenhuma razão para não acreditar neles, indicam que ela (a simulação de afogamento) foi muito valiosa", afirmou Ashcroft ao ser questionado por um deputado se o afogamento serve para propósitos benéficos, apesar de ser uma questão controversa.
Segundo a rede CNN de televisão, Ashcroft acrescentou que o diretor da CIA (serviço de inteligência dos EUA), George Tenet, disse que o "valor da informação recebida por meio do uso de técnicas de interrogatório aprimoradas é maior que o valor das informações recebidas por todos os outros meios de interrogatório". O ex-promotor reconheceu não saber se Tenet incluía o afogamento nas "técnicas aprimoradas".
Alguns críticos consideram a simulação de afogamento uma espécie de tortura.
Tortura
Durante a audiência, Ashcroft afirmou ser contrário a qualquer tipo de tortura, mas acrescentou que o departamento de Justiça determinou que a simulação de afogamento realizada pela CIA não constitui tortura.
"Eu acredito que um relato de simulação de afogamento pode ser sério, mas não acredito que defina tortura", disse ele.
"O departamento de Justiça tem uma base consistente construída nos últimos seis anos ou mais, avaliada muitas vezes, que conclui que a simulação de afogamento não constitui tortura", acrescentou.
Ao ser questionado pelo deputado Steve Chabot, de Ohio, sobre quantas vezes as técnicas de simulação de afogamento teriam sido aplicadas, Ashcroft respondeu acreditar que "elas tenham sido realizadas três vezes" como parte de um "processo de interrogatório".
Lei
A Casa dos Representantes não conseguiu a maioria de dois terços para cancelar o veto do presidente George W. Bush a uma lei que teria banido algumas técnicas de interrogatório da CIA, inclusive a simulação de afogamento.
A lei era uma tentativa de impedir a CIA de agir de uma maneira proibida para outras agências.
Segundo a CNN, a Casa Branca afirmou que a restrição "eliminaria alternativas legais para procedimentos que fazem parte do programa da CIA para questionar os mais violentos e perigosos terroristas do mundo".
Fonte: Folha online
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