A valorização da terra nas áreas de nova fronteira agrícola nos últimos 12 meses foi quase 10 vezes superior à média do país, segundo levantamento bimestral realizado pela consultoria AgraFNP. A analista responsável pelo estudo, Jacqueline Bierhals, diz que a região conhecida como Mapito (inclui Maranhão, Piauí e Tocantins) está entre as que mais atraem investimentos.
O relatório mostra que o preço da terra em Uruçuí (PI) subiu 168% nos 12 meses encerrados no bimestre maio/junho, atingindo R$ 3.900 por hectare, ante R$ 1.454 em julho/agosto do ano passado. No Brasil, o preço médio de um hectare de terra foi de R$ 4.287 em maio/junho de 2008, com ganho nominal de 17% e real de 2,9% com relação há 12 meses.
A forte alta das commodities, a procura por alimentos, a escassez de áreas agricultáveis no mundo e, mais recentemente, a condição de "investment grade" obtida pelo Brasil estão aquecendo os preços de terras brasileiras.
No bimestre maio-junho, o preço médio atingiu R$ 4.287 por hectare, 17% a mais do que há um ano e 41% de aumento nos últimos 36 meses. É o que mostra o estudo "Análise de Mercado de Terras", do Instituto FNP.
Dessa conjugação de fatores que impulsionam os preços da terra para cima, as commodities são o principal motivo de pressão, segundo Jacqueline Dettmann Bierhals, analista responsável pelo mercado de terras na AgraFNP.
As maiores altas ocorrem, portanto, em áreas destinadas à produção de grãos.
Bierhals diz que, com pagamento indexado em sacas de soja, a terra destinada a grãos não pára de subir. "O número de sacas pedido por hectare continua aumentando e já atinge a estratosférica marca de 600 sacas por hectare."
Outro fator de pressão nos preços da terra são os investimentos estrangeiros. Por ora, como ainda não saiu a anunciada revisão na legislação que regulamenta a compra de terras por investidores externos, a compra ocorre em associações com capital nacional.
Ainda é difícil determinar volume e localização desses investimentos estrangeiros, segundo a analista. Oeste baiano, Piauí, Maranhão e, em menor escala, Mato Grosso têm sido, no entanto, as regiões preferidas do capital estrangeiro.
Muitos desses investimentos são de grupos ligados à agricultura e vêm ao Brasil em busca de locais para a produção de grãos. Outros, no entanto, adquirem a terra para esperar valorização, diz Bierhals.
"Mesmo com o novo patamar de preços e o real fortalecido, as terras no Brasil ainda são mais baratas que em outros países, e isso deve continuar atraindo o olhar dos estrangeiros", afirma a analista da AgraFNP.
A procura maior tem se caracterizado por glebas de terras de grande tamanho, localizadas principalmente em regiões de expansão de fronteiras agrícolas, diz Bierhals.
Investidores estrangeiros e nacionais continuam na busca de ativos reais seguros, já que há um aumento nos riscos nos investimentos no mercado financeiro, segundo ela.
Para a analista da AgraFNP, a entrada de empresários que não são tradicionais do agronegócio pode trazer uma mudança estrutural no setor produtivo. "Eles [novos empresários] tendem a trazer técnicas mais modernas de administração e intensificam o processo de profissionalização do setor."
Pastagens
Terras de pastagens, após perderem espaço para grãos e cana-de-açúcar, começam a recuperar preços devido ao novo ciclo na pecuária. Depois de muitos anos amargando baixa remuneração no boi, os pecuaristas se desfizeram de parte do rebanho, principalmente das matrizes.
O rebanho diminuiu e está havendo uma escassez de animais prontos para o abate. Com a falta de gado, o preço da arroba saiu de R$ 50 para R$ 90 nos últimos meses, elevando os preços das terras de pastagens.
Para Bierhals, "esse tipo de terra deve ficar ainda mais disputado nos próximos anos".
A pressão por terras destinadas à produção de cana-de-açúcar, que avançou sobre áreas de pastagens e de grãos nos últimos anos, principalmente no centro-sul, está diminuindo. A rápida expansão do setor sucroalcooleiro gerou queda nos preços da cana-de-açúcar e provocou uma acomodação na procura por terras.
O ganho de competitividade no setor e os elevados preços do petróleo indicam que, no médio prazo, as condições devem continuar favoráveis para esse setor, que gera açúcar, álcool e energia, diz Bierhals.
Apesar dos problemas da economia mundial, principalmente nos Estados Unidos, o momento ainda é favorável para investimento em terras no Brasil, segundo a analista.
Fonte: Correio Brazilienes e Mauro Zafalon - Folha de São Paulo
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