O papa Bento XVI fez um pedido de desculpas direto às vítimas de abuso sexual infantil praticado por sacerdotes da Igreja Católica Romana na Austrália, neste sábado, classificando a prática como um ato diabólico de crueldade e uma grave traição da confiança que desgraçaram a igreja.
Grupos de apoio às vítimas informaram que eles querem mais: um compromisso do pontífice para interromper o que eles alegam que seja um processo de acobertamento da escala do problema, além de demandarem que a igreja pare de lutar contra os pedidos de compensação na Corte de Justiça.
"Eu gostaria de parar para pensar e admitir a culpa que todos nós sentimos como resultado do abuso sexual de menores por alguns sacerdotes neste país", declarou Bento XVI a bispos e outros seminaristas australianos em uma missa.
"Eu estou profundamente desconsolado sobre a dor e sofrimento padecidos pelas vítimas e asseguro que, como seu pastor, eu também compartilho de seus sofrimentos", disse.
"Aqueles responsáveis por essas perversidades devem ser levados à justiça." O papa manifestou pesar sobre os escândalos de abuso que abalaram a igreja nos últimos anos durante uma visita aos Estados Unidos, em abril, mas a linguagem usada no discurso deste sábado foi muito mais forte.
O porta-voz do Vaticano, Reverendo Federico Lombardi, afirmou que o papa mudou o texto original, acrescentando as palavras sobre o seu profundo pesar porque queria "enfatizar pessoalmente" que ele se sentia próximo das vítimas.
Gota em um balde
"É apenas uma gota em um balde - um balde cheio de lágrimas que todos nós que trabalhamos com as vítimas estamos compartilhando nos últimos 25 a 30 anos na Austrália", afirmou Helen Last, do grupo de vítimas "In Good Faith and Associates" - algo como Em Boa Fé e Associados.
Anthony Foster, o pai de duas meninas australianas que foram supostamente abusadas por um padre australiano quando eram crianças, teve um encontro com o pontífice durante sua visita. Ele afirmou que autoridades do alto escalão da igreja pediram desculpas repetidas vezes, mas não ofereceram nenhuma assistência prática às vítimas.
"O que nós não vimos é uma resposta prática e inequívoca e sem limitações que seja dada a todas as vítimas durante suas vidas", disse Foster, acrescentando que a resposta precisa incluir tanto ajuda financeira como psicológica.
Ativistas afirmam que há milhares de vítimas de abuso sexual na Austrália. O grupo "Broken Rites" documentou mais de 100 casos nos quais sacerdotes de diversas denominações cristãs foram sentenciados por crimes de abuso.
O papa Bento XVI está na Austrália para guiar milhares de peregrinos no Dia Mundial da Juventude, uma celebração global que tem o intuito de inspirar uma nova geração de católicos.
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