O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, tem motivos suficientes para festejar a criação de 1.361.388 empregos formais no primeiro semestre, mas este alto desempenho, sem dúvida um indicativo de expansão na economia, não o autoriza a anunciar que há um crescimento forte e homogêneo, extensivo a “todas as regiões”, como anunciou.
Ao contrário: o exame das planilhas, disponíveis no site do Ministério do Trabalho, aponta para o agravamento da disparidade entre o Sul/Sudeste e o Nordeste.
Nos seis meses, o mercado de trabalho nos Estados do Nordeste registrou desempenho negativo de afundados -4,12%; três Estados, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, este com -15,69%, ficaram abaixo de zero, perderam postos de trabalho. Maranhão, com módicos 4,04%, obteve a melhor marca, seguido da Bahia, com 3,8%; Piauí, 3,45%; Sergipe e Ceará, ambos com 1,51%.
Os números nordestinos destoam veementemente quando comparados, nos mesmos seis meses, com a velocidade da “locomotiva do desenvolvimento nacional”, São Paulo, que alcançou 6,01%; e da que a persegue em novos trilhos, Minas, com 7,01%.
Considerando os recentes 12 meses, as mesmas planilhas indicam que o desempenho do mercado de trabalho na Bahia, com variação de 5,39%, supera em 0,78% a média regional, mas fica abaixo dos números alcançados por Ceará (6,65%), Maranhão (6,51%) e Rio Grande do Norte (5,53%). Na comparação, também anual, com os Estados do Sul/Sudeste, fica abaixo de todos – de São Paulo, que alcançou 7,36%, ao Rio de Janeiro, que parou em 5,89%.
Os dados estão em sintonia com outros indicadores do IBGE e da Fundação Getúlio Vargas; com os números do BNDES, referentes a financiamentos públicos e privados; e com os da Receita Federal, que medem a evolução da arrecadação, com destaque para a do ICMS.
São todos dados que provam, com toda força: as desigualdades regionais, que um dia pareceram em linha de atenuação, estão se agravando. Mas não é nada que surpreenda; o único empenho do governo federal para assegurar um diferenciador eficaz pró-desenvolvimento da região é o Bolsa Família. Embora no Nordeste, reconheça-se, a ação assistencialista seja realmente mais beneficente do que no Sul/Sudeste – e renda mais votos.
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