A expectativa da defesa do banqueiro Daniel Dantas é de que a chegada ao Brasil dos documentos que embasaram a decisão da Procuradoria de Milão para denunciar esta semana um esquema de espionagem seja mais comprometedora para políticos e empresários de peso do Brasil do que para o Grupo Opportunity. "Isso nos interessa muito, será muito favorável para nós", afirmou Nélio Machado, advogado de Dantas, ao insinuar que o relatório elucidará os motivos pelo qual o banqueiro estaria sendo "perseguido".
"No relatório existem várias personalidades do mundo empresarial e políticos", disse. Na segunda-feira, a Procuradoria de Milão, na Itália, denunciou a ação de um suposto esquema de espionagem montado a partir de 2000 por causa da disputa entre os sócios da Brasil Telecom (BrT) - Grupo Opportunity e a Telecom Itália (TI) - pelo controle da empresa.
Segundo Machado, o governo brasileiro vem atrasando com mecanismos jurídicos a chegada desses documentos ao Brasil. "Esses documentos já deveriam ter chegado. Existe uma ordem judicial desde 2006. O Ministério Público tem feito manobras a todo o tempo no sentido de que os documentos não venham", disse. "O governo não tem como evitar isso. Ele trará muita coisa séria."
A briga pelo controle da Brasil Telecom teve origem em 2000, segundo os procuradores italianos, quando a "Telecom Itália induziu a Brasil Telecom a adquirir a companhia CRT por um preço considerado exorbitante em relação aos valores acertados". De acordo com a Justiça italiana, a empresa Kroll - a pedido do Opportunity - estava investigando as razões de a Telecom Itália ter tentado induzir a Brasil Telecom a comprar a CRT por um preço US$ 100 milhões a mais do que o acertado. A Telefônica, dona da empresa, teve de se desfazer da CRT depois de adquirir em leilão, em 1998, a Telesp e a Telerj celular. O primeiro preço combinado, em janeiro de 2000, pelos acionistas da BrT foi de US$ 750 milhões. Meses depois, o grupo italiano teria fechado acordo com a Telefônica por US$ 850 milhões e no final a venda saiu por US$ 800 milhões.
De acordo com o "avviso di conclusione delle indagine (comunicado de conclusão de investigação, espécie de denúncia criminal)" da procuradoria italiana, o esquema comandado por Giovanni Tavaroli, chefe da segurança da Telecom Itália, teria violado e-mails de agentes da Kroll, da executiva Carla Cico, então presidente da BrT, e de empresas do Grupo Opportunity. Dos 34 denunciados, oito são acusados de espionar pessoas ligadas a Dantas.
Fonte: Mônica Ciarelli - O Estado de São Paulo
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