Prof. Francisco Soares Santos Filho [*]
Em artigo anterior tratamos sobre as experiências de sucesso (ou fracasso) da educação em tempo integral através dos CIEPs do Rio de Janeiro, CIACs e CAICs do Governo Federal e dos Centros de Educação Comunitária de Teresina. Será que o relançamento desta mesma idéia pelo Governo do Piauí não seria mais uma forma de experimentar com dinheiro público uma idéia que, se não for abraçada por todos, poderá ser mais um fiasco?
Em 2007 o Brasil inteiro voltou seu olhar sobre educação de qualidade para o Piauí, graças ao rendimento no Exame Nacional de Ensino Médio – ENEM dos alunos do Instituto Dom Barreto. O assunto foi pauta de muitos veículos de comunicação que queriam saber qual era a receita usada por uma escola privada não tão cara quanto às melhores escolas do país, num estado com pouca tradição em educação. Muitos articulistas soltaram cobras e lagartos sobre o exame devido ao resultado alardeado que revelou para o Brasil o que nós, piauienses, já sabíamos. Mas, entre as boas coisas que foram escritas na época, me chamou a atenção o artigo do articulista Cláudio de Moura Castro ("Entre a Finlândia e o Piauí"), publicado pela Revista VEJA em 04.04.2007. No texto ficou claro que não precisa pirotecnia para se produzir uma educação de qualidade.
Castro coloca claramente que o necessário para uma educação de qualidade é estabelecer metas, fornecer condições e cobrar resultados. No que ele chamou, conjuntamente, de "feijão-com-arroz da educação". A robustez necessária para o sucesso educativo está na simplicidade, na seriedade, no compromisso e numa agenda de metas que precisam ser atingidas.
Será que adianta implantar escolas de tempo integral sem conseguir adeptos à idéia que, sobretudo, dediquem tempo integral para o sucesso da mesma? Será que os salários pagos aos professores garantem que eles possam estabelecer metas satisfatórias em termos de qualidade educacional?
O segredo do Instituto Dom Barreto é simples, mas difícil de ser copiado. Funciona como uma empresa, com metas rígidas e regras claras a todos os seus participantes. Salários pagos acima da média e exigência. Exige-se do professor apenas o mínimo: boa elaboração de instrumentais, bom planejamento e execução de aulas, pontualidade, atualização e compromisso. A escola fiscaliza. Mas porque o exemplo é difícil de ser copiado? Principalmente pelo ônus financeiro. É necessário que os gestores percebam o que é realmente prioridade. Não adianta encher a educação de receitas mirabolantes, gastar rios de dinheiro com treinamentos e equipamentos, se não são estabelecidas metas e nem um programa de bonificação financeira para quem obtêm os melhores resultados. Não se pode cobrar quando não se oferece nada em troca.
Ainda está longe dos gestores compreenderem que países como a Finlândia e a Coréia do Sul só tiveram sucesso em sua política educacional por que pagam muito bem aos professores qualificados (em média US$ 8.000 dólares mensais para professores com mestrado, independente do nível de ensino em que atuam). Estes países trabalham com educação em tempo integral.
Fica a idéia para o pessoal da pirotecnia.
[*] Francisco Soares Santos Filho é professor assistente II da Universidade Estadual do Piauí e membro do Conselho Estadual de Educação do Piauí (fsoaresfilho@gmail.com) .
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