Policial Segunda, 01 de Dezembro de 2008

Estuprador é condenado a 4 séculos de prisão

25/07/2008 - 14h27min

O acusado, Robert Williams, 31 anos, tinha o olhar perdido na distância enquanto a juíza Carol Berkman, da Corte Suprema Estadual em Manhattan, recitava a punição pelas dezenas de acusações que eram movidas contra ele - de 25 anos a prisão perpétua por tentativa de homicídio, 25 anos por invasão de domicílio, 25 anos a prisão perpétua por seqüestro, 25 anos por incêndio criminoso ao atear fogo ao apartamento da vítima. No total, as condenações somadas atingiram um mínimo de 422 anos de prisão. De acordo com testemunhas do julgamento, Williams forçou a entrada no apartamento da estudante em Hamilton Heights, em 13 de abril de 2007, e a violência começou. Ele a queimou com água sanitária e água fervente, selou sua boca com cola, cortou suas pálpebra com uma faça de açougueiro e a estuprou e sodomizou repetidamente. Em determinado momento, a vítima implorou que ele a matasse.

Berkman afirmou que a lei compelia a imposição de sentenças sucessivas, e não simultâneas, a Williams, a quem definiu como "homem extremamente perigoso".

"A proteção da comunidade", ela afirmou, "requer que Robert Williams seja confinado". Williams, que usava um uniforme de presidiário cinzento, ouvia em silêncio.

O advogado dele, Arthur Levine, havia solicitado uma sentença menor alegando que seu cliente sofria de diversos problemas mentais. Ele disse que Williams não havia falado com ele de maneira coerente em um ano, e parecia incapaz de compreender por que estava no tribunal e ou o motivo pelo qual estava sendo sentenciado.

"Não acredito que ele tenha nem mesmo idéia sobre o que está acontecendo", disse Levine depois do sentenciamento, acrescentando que planejava apelar da condenação.

Levine retratou seu cliente como homem propelido à violência por ter sido negligenciado quando criança. Filho de um traficante de drogas e de uma mãe que terminou internada em hospital psiquiátrico, Williams começou a trabalhar com o pai aos 11 anos de idade, disse Levine. Chegava à escola com os bolsos repletos de notas de US$ 100, e quando enfrentou dificuldade nas aulas sua família ignorou os pedidos da escola para que fosse matriculado em um programa de educação especial.

Williams foi acusado de homicídio quando menor de idade e passou oito anos na prisão por uma tentativa de homicídio em 1996.

Na quinta-feira, ele foi levado à força para o tribunal por policiais usando capacetes e escudos. A vítima, que hoje tem 24 anos, não compareceu.

A promotora do caso, Ann Prunty, descreveu Williams como "monstro brutal e sádico", completamente desdenhoso da lei.

No julgamento, um mês atrás, a vítima, que estava a um mês de obter seu mestrado quando do ataque, relatou seu dia de tortura. Ela descreveu como queria morrer durante as longas horas de sofrimento, e como Williams a forçou a tomar sedativos e cortou suas pálpebras, aparentemente acreditando que, caso ele danificasse sua visão, ela não conseguiria identificá-lo.

Williams por fim se foi, e ela se libertou usando o fogo que ele havia ateado para queimar as cordas com as quais ele a havia amarrado a um futon.



Fonte: The New York Times - Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME



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