Nacional Segunda, 22 de Março de 2010

Lista de seqüestro incluía Ellen Gracie e filho de Lula

08/08/2008 - 09h10min

O traficante colombiano Juan Carlos Abadía, preso no Brasil há um ano, deverá ser extraditado até dezembro para os Estados Unidos, onde responderá por vários crimes praticados em seu país e contra cidadãos americanos. Abadía está preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, onde planejava, junto com Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, um dos mais audaciosos golpes contra autoridades do Executivo e Judiciário. Na lista de pessoas que seriam alvo dos bandidos estão a ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie e um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Acusado de ter praticado pelo menos 300 mortes em seu país, Abadía teve autorização da Colômbia para que fosse extraditado para os Estados Unidos, como ocorreu com outros chefes de cartéis do narcotráfico. Mas como foi preso no Brasil, o pedido foi feito às autoridades nacionais. Para efetuar a transferência, o Ministério da Justiça ainda aguarda uma solicitação formal, que ainda não foi feita. O caso foi apenas julgado na esfera judicial, sendo que a concessão foi determinada pelo STF.

Além disso, o governo americano terá de justificar por que a extradição do traficante colombiano é importante para os Estados Unidos, além de informar que benefícios sua remoção traria para o Brasil. É o que as autoridades tratam como princípio da reciprocidade. Os EUA haviam prometido uma recompensa para quem conseguisse prender Abadía, considerado um dos criminosos mais procurados do mundo. Mas a Polícia Federal recusou a oferta.

Os Estados Unidos terão ainda de assumir o compromisso de não aplicar penas acima das permitidas pela lei brasileira, que é de 30 anos. Em algumas regiões americanas onde Abadía terá de responder à Justiça, a lei prevê prisão perpétua e até pena de morte. No Brasil, ele está condenado a 30 anos de prisão por crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Os planos de Abadía e Fernandinho Beira-Mar, junto com outros dois detentos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), foram descobertos durante uma investigação que resultou na Operação X, desencadeada na última segunda-feira. A Polícia Federal descobriu que o grupo pretendia seqüestrar autoridades de Mato Grosso do Sul e dos poderes Executivo e Judiciário, como Ellen Gracie. Além disso, eles atacariam a penitenciária e comboios de transporte de presos, provocando fugas em massa.

Segundo fontes da PF, as investigações continuam e, em uma segunda etapa, podem render novas prisões, principalmente de pessoas ligadas aos criminosos. Na Operação X, a Polícia Federal deteve a ex-mulher de Beira-Mar, dois parentes e um advogado dos presidiários.

Fonte: Edson Luiz - Correio Braziliense


Palavras-chave: Juan Carlos ramires Abadía , beira mar , operaçao X


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