Dos dados distribuídos ontem no estudo “Aquecimento Global e Cenários Futuros da Agricultura Brasileira” – produzido pela Embrapa em conjunto com a Unicamp –, que avalia o impacto do aumento da temperatura sobre a agricultura em 2020, 2050 e 2070, o que mais preocupa são os efeitos relacionados com o Nordeste. A pesquisa avaliou as culturas de algodão, arroz, feijão, café, cana-de-açúcar, girassol, mandioca, milho e soja e em todas elas o Nordeste aparece pintado de vermelho (que indica inaptidão) ou no máximo amarela - que a indica como produtora, porém inapta.
Os cenários traçados afirmam que o Nordeste sofrerá um forte impacto com o aumento das temperaturas. Toda a área correspondente ao Agreste nordestino, onde hoje se produz a maior parte da produção regional de milho, e a região dos cerrados nordestino – sul do Maranhão, sul do Piauí e oeste da Bahia –, onde predomina o cultivo da soja), poderão ser atingidas. A mandioca simplesmente corre o risco de desaparecer do Semi-Árido nordestino, diz o estudo. E mesmo a cana-de-açúcar será prejudicada.
O mais grave disso é que o aumento das temperaturas vai acelerar o processo de inaptidão para culturas economicamente viáveis. A região, diz o estudo, corre o risco de desertificação acelerada e de se tornar imprópria para a maioria das plantas cultivadas atualmente. E adverte que para conter esse processo e ainda oferecer alternativas alimentares para a população e para o gado, o ideal seria apostar nas próprias culturas da caatinga. Mas a pergunta continua: Certo, mas isso sustenta economicamente a região?
Fonte: Jornal do Commérico
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