Antigo aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PCdoB quer garantir a continuidade do projeto iniciado em 2003. Para evitar o racha entre os aliados e o fortalecimento de um adversário, os comunistas avaliam que o deputado e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) daria um bom vice do candidato indicado pelo petista. No caso, a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
“A candidatura do Ciro Gomes tem um papel importante porque é do campo de apoio do presidente Lula. Mas diante da lógica de se ter um candidato forte da base aliada, o Ciro poderia ser um candidato a vice, jogando um papel importante como vice porque é o único até agora que tem densidade eleitoral”, disse o presidente do PCdoB, Renato Rabelo.
O deputado do PSB do Ceará colocou sua candidatura no páreo e aproveita a eleição municipal para aumentar o cacife quando afunilar a disputa pelo Palácio do Planalto. Setores do partido de Ciro Gomes acreditam que ele poderia disputar a corrida presidencial ao lado de um petista no primeiro turno, mantendo a porta aberta para uma aliança no segundo. O caso mais lembrado é a disputa pelo governo de Pernambuco em 2006, quando o petista Humberto Costa disputou com Eduardo Campos (PSB), mas derrotado na primeira volta trabalhou pela eleição do colega.
Os comunistas reconhecem que essa poderia ser uma solução, mas não é a mais prática porque racharia a base e poderia dar fôlego a um nome de oposição. E, por uma disputa de ego, ficaria inviabilizado o projeto político, mas sobretudo de poder, que poderia chegar a 16 anos.
Toda essa costura é para reforçar a tese de que o PCdoB está mais do que disposto a repetir a aliança presidencial com o PT que se iniciou em 1989. O dirigente comunista afirma que em 2010, salvo um fato alheio ao atual cenário político, a legenda fechará com o nome que o presidente Lula indicar. “Para que o projeto de Lula continue e avance, o mais correto é levar em conta o candidato do presidente Lula, que ele está construindo e apostando. E o PCdoB jamais ficaria contra um candidato indicado pelo Lula”, disse o comunista.
Renato Rabelo acredita que a transferência de votos de Lula seria mais eficiente e fácil de ser feita para um petista. O presidente da República tem trabalhado amplamente pela viabilização de Dilma como sua sucessora, tanto que para evitar um desgaste da imagem da auxiliar pediu que ela se poupasse na eleição municipal, limitando-se a uma atuação regional.
PMDB
Apesar de projetar como coligação ideal a repetição do arco de aliança do governo no Congresso, o dirigente do PCdoB defende que a candidatura do PT em 2010 tenha como eixo os partidos historicamente aliados mais o PDT. Renato Rabelo avalia que a falta de um nome forte do PMDB para concorrer em 2010 pode acabar jogando o partido no colo eleitoral de Lula.
“O PMDB demonstra que, mesmo sendo um partido grande, com muitas lideranças regionais, nunca conseguiu ter uma liderança com um candidato a presidente da República”, afirmou o comunista. Ao jogar no time escalado pelo presidente Lula, o PCdoB aceitaria até um vice peemedebista, caso Ciro Gomes seja efetivado numa candidatura paralela.
O dirigente ressalva que o cenário em que Lula é o maior eleitor de 2010 só se concretiza com o sucesso do segundo mandato, se a popularidade do petista permanecer elevada até as portas da eleição.
Fonte: Tiago Pariz - Correio Braziliense
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