Saúde Quarta, 03 de Dezembro de 2008

Chefe de transplantes sai após erro

20/08/2008 - 10h13min

A Secretaria de Estado da Saúde do Rio determinou ontem o afastamento da coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Ellen Barroso, sob acusação de falha administrativa. Uma sindicância concluiu que ela teve responsabilidade no caso de um rim transplantado por engano, em março. De acordo com a apuração, teria havido falha na checagem dos dados das pacientes.

Além dela, uma outra funcionária foi afastada cautelarmente. Elas terão dez dias para apresentar suas defesas. Ellen estava no cargo desde o ano passado, quando sucedeu ao cirurgião Joaquim Ribeiro Filho, preso recentemente na operação Fura-Fila sob a acusação de desrespeitar a ordem dos transplantes de fígado.

O erro aconteceu em março, quando foi captado um rim que deveria beneficiar a doméstica aposentada Maria das Graças de Jesus, de 60 anos. O órgão foi transplantado para outra pessoa, de nome parecido, Maria das Graças de Jesus Araújo, de 51 anos, no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, conhecido como Hospital do Fundão. Esta última morreu em maio.

O subsecretário jurídico e de corregedoria da Secretaria da Saúde, Pedro Henrique Di Masi, disse que o relatório do médico que realizou o transplante informou que a paciente morreu de causas infecciosas. “Se fosse por rejeição, provavelmente a morte teria acontecido mais rápido”, avaliou a superintendente de Atenção Especializada, Hellen Miyamoto, que substituirá Ellen interinamente na Central de Transplantes. Em nota, a Coordenação de Transplante Renal do Hospital Universitário informou que a instituição agiu como órgão executor. “A Central de Transplantes determinou a realização do procedimento na paciente, que antes havia sido avaliada no Hospital-Geral de Bonsucesso.”

De acordo com a sindicância, a paciente Maria das Graças de Jesus foi selecionada como a mais compatível para receber o rim. Mas a funcionária da central telefonou para Maria das Graças de Jesus Araújo. O HGB fez exames pré-operatórios e não percebeu que se tratava de outra paciente. O Hospital Universitário fez o transplante para uma paciente com o prontuário da outra. “Ninguém confirmou documento, nome e CPF. Houve falha na checagem, o que não quer dizer que houve má-fé”, disse Di Masi, lembrando que uma mulher tem 60 anos e a outra 51. Maria das Graças de Jesus, que ocupava a 11ª posição na lista de espera por rim, era a mais compatível entre os selecionados. Ontem, passou o dia fazendo hemodiálise, procedimento que realiza três vezes por semana, há três anos. Um de seus rins não funciona; o outro filtra menos de 10% do que deveria. “Achei uma covardia muito grande o que fizeram com ela, que está sofrendo”, disse a irmã de Maria das Graças, Rita Guilherme Amaro.

Fonte: Fabiana Cimieri, - O Estado de São Paulo



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