O modo de tratar o solo também pode resultar na liberação de gases que provocam o efeito estufa, como o dióxido de carbono. O uso das máquinas quebra as partículas da terra, onde se encontra a matéria orgânica, constituída de carbono. Quando o chão é revolvido, a substância fica mais acessível aos micróbios. Ao se alimentarem dela, esses microrganismos geram CO2.
O pesquisador da Embrapa Meio Norte (no Piauí) Luiz Fernando Leite explica que o carbono existente no solo seria liberado em forma de CO2, com o passar dos anos, gradativamente, se a terra não fosse revolvida. “É preciso criar alternativas ao preparo convencional do solo”, comenta o pesquisador, acrescentando que as boas práticas agrícolas podem contribuir para a redução na emissão dos gases do efeito estufa.
As práticas, segundo ele, estão relacionadas ao manejo sustentável do solo e incluem o Sistema de Plantio Direto (SPD) e a Integração Lavoura-Pecuária (ILP). No primeiro, há intensa diminuição nas operações com equipamentos agrícolas e, por isso, o uso de combustíveis fósseis é minimizado. Como se revira menos a terra, o carbono permanece preservado e a sua liberação ocorre de forma mais lenta e equilibrada.
Outra vantagem de manter o carbono no solo, de acordo com o pesquisador, é que se deixa a terra mais fértil, biologicamente equilibrada e, portanto, mais produtiva. Isso traz conseqüência econômica para o produtor, que alcança uma maior produtividade.
Leite citou também que na cultura da cana-de-açúcar o corte mecânico da planta e o “aproveitamento energético da biomassa, com conseqüente diminuição de desperdícios de matéria vegetal e energia, são consideradas eficientes estratégias mitigadoras dos gases do efeito estufa”.
Para a Thelma Krug, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o plantio direto provoca as menores emissões também por utilizar menos fertilizantes nitrogenados e reduzir as queimadas como alternativa para limpeza do pasto ou de resíduos de cultivos anteriores.
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