Considerada problema de saúde pública, a doença afeta de 4% a 8% das mulheres grávidas, em geral durante o segundo trimestre da gestação
Mulheres que não têm histórico de diabetes na família também podem desenvolver a doença durante a gravidez. O diabetes gestacional afeta de 4% a 8% das mulheres grávidas, em geral durante o segundo trimestre da gestação. No Brasil, estima-se que cerca de 90 mil grávidas desenvolvem a doença. Stress, alimentação inadequada, falta de atividade física, fumo e idade da mãe são os principais fatores responsáveis pelo diabetes gestacional.
De acordo com o diretor científico da Associação dos Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), o obstetra Frederico Péret, a doença tende a regredir espontaneamente, mas mesmo assim, requer cuidados, já que pode afetar a saúde da mulher e do bebê, podendo até causar a morte fetal ou neonatal. Ele ainda acrescenta que o problema também pode repercutir na infância e adolescência, com risco de obesidade e diabetes no futuro da criança. O assunto será discutido durante o 33º Congresso Mineiro de Ginecologia e Obstetrícia, promovido pela (SOGIMIG), de 3 a 5 de setembro, em Juiz de Fora.
O diabetes gestacional apresenta poucos sintomas e sinais. Por isso, são recomendados a realização de exames e o acompanhamento entre a 24ª e a 28ª semana de gravidez. As grávidas que possuem características de risco devem fazer o teste de tolerância à glicose logo na primeira visita do pré-natal. Em casos confirmados, a grávida precisa ser incluída no grupo de alto risco. Os principais sintomas são sede, urina em excesso, inchaço, vômitos incontroláveis, visão turva, fadiga crônica e infecções na bexiga ou na vagina. Outros riscos são a de ocorrência de pré-eclampsia - um quadro de pressão arterial elevada -, albumina na urina e alterações em outros órgãos, como o fígado.
Segundo Péret, quando está no útero materno, a criança vive em regime de alta glicemia. O excesso do açúcar no sangue da mãe faz com que ela e o bebê fiquem acima do peso ideal, o que pode causar problemas para ambos na hora do parto ou até aborto espontâneo. Por isso, em muitos casos, a criança precisa ser retirada prematuramente.
Após o nascimento, o recém-nascido de mãe com diabetes gestacional precisa de cuidadosa avaliação no berçário. Existem ocorrências em que o bebê apresenta icterícia (aspecto com pele amarelada) por imaturidade das funções do fígado. Ele pode, também, apresentar problemas respiratórios e, muito freqüentemente, hipoglicemia - quando o nível de glicose fica muito baixo no sangue. A explicação é que o feto passa a produzir muita insulina, devido à grande quantidade de glicose durante a gestação. Logo após o parto, o excesso de insulina perdura e surge a queda de glicose logo após o nascimento. Além disso, existe uma chance maior dessas crianças serem obesas e desenvolverem diabetes.
Para prevenir e controlar a doença, o ideal é manter atividades físicas regulares que ajudam o sistema imunológico, alimentação saudável evitando doces, gorduras e excesso de carboidratos, controlar o humor e fazer exames periódicos. "A abordagem da doença deve ser multidisciplinar e humanizada, com dedicação do obstetra, endocrinologista, psicólogo, enfermeira, bioquímico e nutricionista", recomenda.
O 33º Congresso de Ginecologia e Obstetrícia deve reunir mais de mil médicos em palestras, mesas-redondas, mini-conferências e cursos de atualização. Paralelamente acontecerá o "3º Congresso Internacional de Ginecologia e Obstetrícia de Minas Gerais" e o "14º Congresso de Ginecologia e Obstetrícia da Região Sudeste da FEBRASGO".
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