Antes de se discutir como será feita a divisão das receitas da futura produção de petróleo nos campos de pré-sal, é preciso se preocupar com os elevados investimentos que serão necessários. Ivan Simões Filho, do Comitê de Exploração e Produção do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), disse ontem que os investimentos somente para desenvolver a produção nos atuais blocos do pré-sal - com reservas estimadas entre 30 bilhões e 70 bilhões de barris - serão necessários entre US$400 bilhões até US$1 trilhão, quase o PIB do Brasil, de US$1,5 trilhão.
A necessidade de respeitar os contratos em vigor, assim como definir as regras para a exploração no pré-sal foram algumas das questões que tiveram unanimidade entre empresários e especialistas ontem durante o debate " Desafios do Pré-sal", realizado por Fundação Getulio Vargas (FGV), IBP e a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Somente para o desenvolvimento do campo de Tupi, na Bacia de Santos, as estimativas são de investimentos de US$80 bilhões.
Estado não tem recursos para desenvolver pré-sal
Carlos Langoni, do Instituto de Economia Mundial da FGV, destacou justamente a importância de se discutir prioritariamente como se conseguirão recursos tão elevados.
- O setor público não tem recursos para investir sozinho. Portanto não será possível imaginar qualquer tipo de modelo de contrato que dependa exclusivamente de recursos do Estado para esses projetos - destacou Langoni.
Num momento em que não faltam especulações sobre o pré-sal, o ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso afirmou:
- Qualquer pessoa tem o direito inalienável de dizer besteira. Mas vamos ter muito juízo e muito bom senso e pensar muito nesse assunto.
O analista do UBS Pactual Gustavo Gattais apresentou estimativas de investimentos no pré-sal de até US$1,2 trilhão. Gattais destacou que o mais preocupante neste momento é que toda essa indefinição sobre as regras para o setor poderá paralisar investimentos em outras áreas fora do pré-sal.
- Dizer que haverá mudança nos contratos existentes é perigoso porque vai assustar a empresa que está investindo para alcançar uma produção em outras áreas antes de Tupi entrar em produção. E com isso podemos perder a auto-suficiência - alertou Gattais.
O presidente do IBP, João Carlos França de Luca, disse que o governo deveria tentar adaptar os atuais contratos de concessão à nova realidade do pré-sal, antes de pensar em adotar outro tipo. Segundo ele, as regras atuais permitem a adoção de medidas sem mudar a lei do petróleo.
- Os contratos podem ser adaptados para que o governo exerça o direito soberano de ter uma participação maior no pré-sal - destacou De Luca.
Fonte: Ramona Ordoñez - O Globo
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