Nacional Sexta, 19 de Março de 2010

Loja onde Abin fez compras tem até urso de pelúcia "espião"

06/09/2008 - 13h25min

Diógenes Muniz/Folha Online 

Observe os objetos na imagem acima. São produtos comuns, certo? Errado. E o urso é o menos inocente deles. Todos estão prontos para captar diálogos às escondidas. A caneta (R$ 1.500) e o relógio (R$ 1.500) gravam áudio. A bolsa (R$ 900) e o bicho de pelúcia (R$ 800) registram vídeos --o "coração" do brinquedo ainda emite raios infravermelhos para filmar sob escuridão completa.

Eles estão à venda numa loja do centro de São Paulo, onde agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) já fizeram mais de R$ 4 mil em compras.

Bolsa, caneta, relógio de pulso e urso de pelúcia servem para registrar dados (sons e imagens) sem serem percebidos

A oferta de produtos tecnológicos de toda ordem faz com que a região central da capital paulista seja uma espécie de Disney da arapongagem nacional.

Além de locais que vendem de forma avulsa câmeras escondidas e objetos para espionagem amadora, como nas galerias da rua Santa Ifigênia, há também estabelecimentos de olho na demanda do governo e de grandes empresas por produtos mais sofisticados ou personalizados. A loja Missão Impossível Ltda. é uma delas.

Um aviso na porta do estabelecimento informa que apenas um consumidor pode entrar por vez. Pedestres que passam pelo número 230 da rua General Osório são surpreendidos por um manequim vestido de espião. O entra e sai da loja é de homens engravatados com pedidos na ponta de língua.

"Desenvolvemos diferentes objetos com microcâmeras ocultas, dependendo do pedido do comprador", afirma o dono do local, Marlom Paresa, 48.

Em 2007, a Abin gastou R$ 4.600 na loja com itens como receptor de áudio, de acordo com o TCU (Tribunal de Contas da União). "Quem mais nos procuram são os órgãos de governo e as empresas grandes", explica Paresa. Segundo ele, há também uma grande freguesia de comunicadores. "Já vendemos aparelhos para todos os canais de TV."

Um dos produtos mais elaborados da loja é o óculos com microcâmera "invisível" (R$ 3 mil). Ele transmite a filmagem direto para um gravador sem fio que pode ficar no bolso do usuário sem chamar atenção. A imagem sai com definição horizontal de 382 linhas. Nesta seara ainda há brinquedos de controle remoto, bonés, lâmpadas, botões de camisa, detectores de fumaça e de movimento --todos com ouvidos ou olhos eletrônicos.

De acordo com Paresa, no entanto, a especialidade da loja é a contra-espionagem, empregada em aparelhos como o detector de lentes (R$ 780). Ele verifica se há microcâmera embutida em determinado local ou objeto.

A algumas quadras da Missão Impossível, mais um manequim convida transeuntes a adquirirem produtos de inteligência --este vestido de Sherlock Holmes. Na loja World Center, no número 227 da r. Santa Ifigênia, o público é outro, com ambições tecnológicas menores. Objetos de espionagem dividem espaço com conversores para TV digital, DVDs e periféricos de informática.

"O que sai mais são as microcâmeras. Vendemos cerca de 50 peças por mês", diz José Paulo, 49, gerente da Central Santa Ifigênia (parceira da loja World Center), também localizada no centro da cidade. Além de oferecer um quadro com microcâmera embutida (R$ 890), as duas lojas tem kits de câmeras ocultas e receptores a partir de R$ 165. "Essa daí tá pegando muita babá agressora", afirma.

Contatada pela reportagem, a Abin não quis se pronunciar sobre suas compras.

Fonte: Diógenes Muniz - Folha Online


Palavras-chave: abim , grampos


Comentários (0)

Nenhum comentário

Comentar


feed
Desenvolva seu site - Mundi Brasil