Você já deve ter se perguntado ou participado de alguma discussão em torno da polêmica questão: dinheiro traz felicidade? De acordo com pesquisa divulgada pelo economista e chefe do Centro de Pesquisas Sociais da Fudação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri, realizada pelo instituto Gallup World Poll em mais de 132 países, para cada 100% de aumento de renda a felicidade geral das nações sobe 15%. Marcelo Neri diz que o aumento dessa felicidade é maior no curto prazo do que ao longo do tempo. Ou seja, dinheiro traz a felicidade confirma o economista.
É uma estimativa empírica. Porém depois de determinado tempo, a pessoa se adapta ao novo estilo de vida. No artigo exclusivo para o JB (publicado na próxima página), Neri revela que o Brasil contraria um pouco esta norma internacional: o país é numero 22 no ranking mundial de felicidade presente acima da 52ª posição no ranking de renda em 132 países. O brasileiro tem excesso de felicidade presente em relação a sua renda. Mas se a renda do brasileiro aumenta, a felicidade também deve aumentar comenta o economista.
Segundo Neri, os dados atuais são melhores porque cobrem o mundo todo, não ficam restritos aos países de renda média. O estudo revela que os latino-americanos são mais felizes do que a renda permitiria e o pessoal do Leste Europeu é mais infeliz do que a renda sugeriria. Para o economista, cada pessoa tem as próprias idéias sobre felicidade e sobre o que é uma vida boa. A felicidade dos indivíduos poderia ser captada perguntando diretamente às pessoas o quão satisfeitas elas estão com suas vidas. As variáveis de interesse estão baseadas no julgamento das pessoas por elas mesmas.
A FGV está fazendo uma série de estudos sobre o tema. De como medidas componentes do IDH impactam a felicidade? O estudo mostra ainda que a renda corrente tem mais impacto sobre a felicidade presente do que sobre a futura, o que seria consistente com a presença de miopia, impaciência, desafagens de hábitos, incertezas ou de restrições no mercado de crédito que tornariam a felicidade presente mais sensível a mudanças de renda observadas no mesmo período. Todos estes elementos são também candidatos a explicar a trajetória crescente de felicidade ao longo do tempo.
Contrariando a pesquisa, a psicanalista Eliana Mello Helsinger diz que dinheiro pode ajudar a pessoa a se sentir mais feliz sim, mas não é o fator determinante. A pessoa pode até deixar de se preocupar com as contas e por isso pode até se sentir mais alegre, tem a possibilidade de largar tudo e ir viajar. Porém, o mais importante é que a pessoa tenha uma estrutura psíquica saudável para poder usufruir bem desse aumento de renda explica Eliana.
A grande questão é de como ela vai se comportar, pois o fato de ter dinheiro não significa nada. Ele não compra amigos, amor, auto-estima, enfim, só coisas materiais. O ter não preenche todo o ser. O cliente mais infeliz que tratei é uma das pessoas mais ricas do Rio.
Equívoco
Para a psicanalista, há confusão sobre o conceito de felicidade. Há um equívoco muito grande na sociedade atual, em que as pessoas estão aflitas pelo poder e pelo sucesso. E muitas vezes não conseguem e quando atingem o objetivo não se sentem felizes. Acreditam que ter é ser. São pessoas que muitas vezes compram uma série de coisas e mesmo assim sentem um vazio muito grande porque não conseguem sentir prazer nas pequenas coisas da vida comenta Eliana. Em compensação, a pessoa que é saudável psiquicamente lida bem com o dinheiro. Sente prazer ao ler um livro, com uma conversa com os amigos, ao assistir a um bom filme.
Eliana ressalta que a maneira como a pessoa foi criada, como foi a infância, seus princípios, a história de vida dessa pessoa são muito importantes para determinar quem é a pessoa hoje e como ela se sente. Para quem não tem dinheiro, o simples fato de ter um objetivo, de querer enriquecer já é um componente que pode gerar felicidade explica a psicanalista. Geralmente, as pessoas dão o que têm. Quem é amoroso é porque recebeu durante a vida e tem dentro de si. O dinheiro não muda a essência das pessoas.
Fonte: Ludmilla Totinick - Jornal do Brasil
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