Às vésperas de completar nove anos de vida, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ganhou um presente antecipado do governo. Anunciado em junho, o plano de carreiras do órgão prevê um aumento de 25% no quadro de servidores, que terá 440 novas vagas até o ano que vem. O primeiro concurso, para a contratação de 190 arapongas com salário inicial de até R$9.713, encerra hoje a fase de inscrições. O edital avisa que a vida dos candidatos será investigada e exige conhecimentos em terrorismo, segurança do Estado e espionagem econômica e industrial.
A Abin diz ter hoje cerca de 1.800 funcionários. O número exato e o organograma não são divulgados por motivos de segurança. Desde o início do governo Lula, em 2003, o órgão já teve cinco diretores-gerais, incluindo o atual interino, Wilson Trezza. O segundo da lista foi o delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, demitido em 2005 após a divulgação de um boletim interno em que ele chamava parlamentares da CPI dos Correios de "bestas-feras de picadeiro". Na segunda-feira, em meio ao escândalo de grampo no STF, o presidente Lula afastou o delegado Paulo Lacerda, que ocupava o cargo há 11 meses.
De acordo com seu site, a ação da Abin se divide entre atividades de inteligência, para formular relatórios destinados ao presidente da República, e de contra-inteligência, para proteger o país de ameaças à soberania nacional. Em 2003, o agente Temilson Antonio Barreto de Resende, foi condenado a dois anos e oito meses de prisão por grampo ilegal na privatização da Telebrás. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região elevou a pena para quatro anos, mas ele recorreu e continua no órgão, em funções burocráticas.
Segundo levantamento da ONG Contas Abertas, o orçamento da Abin subiu 44% de 2003 até hoje, passando de R$157 milhões para R$226 milhões, em valores corrigidos. O gasto com cartões corporativos saltou de R$5,5 milhões em 2006 para R$11,5 milhões em 2007. A fiscalização das despesas é feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que recentemente apontou irregularidades no uso dos cartões.
As atividades da Abin deveriam ser acompanhadas internamente pela Câmara de Relações Exteriores de Defesa Nacional, integrada por oito ministros. O Gabinete de Segurança Institucional não soube informar quando o órgão tratou do tema pela última vez. Segundo o site da Abin, ontem, 6 de setembro, foi o Dia do Profissional de Inteligência.
Fonte: Bernardo Mello Franco - O Globo
Palavras-chave: abin
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