O clima da campanha eleitoral foi acirrado nos municípios de Imperatriz, Caxias e São José de Ribamar, três dos maiores colégios eleitorais do Maranhão. Ao mesmo tempo em que intensificam as atividades nas ruas em busca do voto, os candidatos a prefeito têm o horário eleitoral como principal instrumento para divulgar suas propostas, criticar adversários e rebater acusações, sob o olhar da Justiça Eleitoral.
A polêmica entre Ildon Marques (PMDB) e Sebastião Madeira (PSDB) sobre o repasse de verbas federais ao município de Imperatriz e a distribuição de um panfleto apócrifo com ofensas pessoais aos dois candidatos a prefeito marcaram até agora a campanha no segundo maior colégio eleitoral do Maranhão. Por determinação da Justiça Eleitoral, a Polícia Federal abriu investigações para apurar a origem da publicação anônima distribuída nas ruas há cerca de uma semana.
O debate sobre o repasse ou não de recursos federais ao município teve início quando, ao participar de uma série de entrevistas na TV Mirante, Ildon Marques afirmou que o deputado federal e agora candidato Sebastião Madeira não havia destinado sequer um centavo a Imperatriz e o desafiou a provar o contrário. “Se ele provar que mandou um centavo só eu renunciou a minha candidatura”, desafiou o prefeito.
Madeira ganhou da Justiça Eleitoral o direito de responder à provocação e devolveu: “Um deputado federal não traz dinheiro, aprova e faz indicações e agora mesmo tem R$ 1 milhão disponíveis para Imperatriz e cabe ao prefeito fazer o projeto para usar esses recursos”. O tema também vem sendo bem explorado na propaganda eleitoral no rádio e na TV, em meio às propostas de governo dos dois candidatos.
Com a proibição dos comícios com grandes atrações artísticas, os candidatos estão adotando outras táticas para conquistar o eleitorado, como as visitas de casa em casa, feiras e mercados públicos, caminhadas e carreatas nas ruas até dos bairros mais distantes. Mas eles apostam todas as fichas no horário eleitoral gratuito no rádio e TV, onde exploram com maior ênfase suas propostas e críticas aos adversários.
A situação ficou mais delicada esta semana, quando o juiz Adolfo Pires da Fonseca Neto, responsável pela propaganda eleitoral, foi à emissora geradora do horário eleitoral para determinar que todo o material seja assistido previamente e o que não estiver identificado não seja veiculado. Ele entendeu que alguns candidatos estavam usando as inserções na programação televisiva sem a devida identificação da coligação, ou quando isso ocorria era pouco perceptível. A medida visa prevenir a divulgação de ofensas aos adversários, o que é vedado pela legislação eleitoral e já levou à suspensão de programas de alguns concorrentes, como é o caso de Justino Filho (PTN), que em resposta gravou um programa em que apareceu com a boca amordaçada.
Na propaganda eleitoral, os candidatos têm explorado como principais propostas de governo melhorias nas áreas da saúde, educação, habitação e segurança. Justino Filho, por exemplo, promete reunir todas as instituições de segurança, incluindo o Exército, para criar o que ele chama de “Gabinete de Segurança”.
O candidato João Batista (PP) promete, entre outras coisas, criar o Bolsa-Família Municipal. O ex-prefeito Jomar Fernandes (PT) quer melhorar a saúde pública, em especial o Socorrão; Madeira promete realizar muitas obras de infra-estrutura e priorizar áreas sociais, enquanto Ildon Marques ressalta as realizações do seu governo, em especial as do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), e promete mais investimentos em um eventual segundo mandato. O candidato Wilson Leite (PSOL) mantém o discurso ideológico do partido e promete, na hipótese de ser eleito, priorizar áreas sociais com a valorização dos trabalhadores.
Polarização
A disputa pela Prefeitura de Caxias está acirrada e polarizada entre a ex-prefeita Márcia Marinho (PMDB) e o atual prefeito Humberto Coutinho (PDT), que intensificaram a campanha com caminhadas, carreatas, passeios ciclísticos e principalmente reuniões de bairros.
Enquanto Humberto Coutinho acredita em uma vitória tranqüila e esmagadora, para a candidata Márcia Marinho, a disputa só será decidida no dia das eleições. E uma das estratégias de divulgação que tem dado alento tanto à peemedebista quanto aos também candidatos Agostinho Neto (PSOL) e Tom do Monte (PT) é o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.
A mídia eletrônica, que já gerou muita celeuma por causa das decisões judiciais que proibiram e liberaram a propaganda, é hoje um dos principais instrumentos dos candidatos oposicionistas para se contrapor à campanha de Humberto Coutinho, acusado por seus concorrentes de usar a máquina administrativa a favor da sua candidatura.
O que não pode ser resolvido diante das câmeras nem nos programas de rádio é debatido nas representações judiciais, que apontam irregularidades na propaganda. O Ministério Público Eleitoral (MPE) já recebeu 368 representações, quase 40% delas feitas pela própria população, que neste pleito está mais atuante.
Na eleição proporcional, 121 candidatos concorrem às vagas na Câmara de Caxias. Entre eles a disputa é bem mais acirrada e cara. Alguns dos concorrentes, principalmente os que já exerceram mandatos e têm maior poder aquisitivo, ostentam campanhas com grandes estruturas que incluem vários veículos, entre eles ônibus e caminhões para transportar cabos eleitorais e eleitores. Outro diferencial na campanha são os vários comitês dos candidatos a vereador espalhados pela cidade.
Fonte: O Estado do Maranhão
Palavras-chave: maranhao
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