A promotora Mildred de Assis Gonzales disse, nesta tarde, que pediu à Justiça a revogação da liberdade provisória do ex-seminarista Gil Rugai, que responde em liberdade a processo por suspeita de ter matado o pai e a madrasta há 4 anos. Segundo Mildred, houve "quebra de confiança" do réu ao mudar seu endereço fixo em São Paulo para Santa Maria (RS) sem comunicação prévia à Justiça. "A nossa preocupação é que ele fuja do País", disse Mildred.
Rugai, que é acusado de matar o pai, o empresário Luiz Carlos, e a madrasta, Alessandra Troitiño, na casa deles, em Perdizes, São Paulo, em 28 de março de 2004, foi localizado em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, segundo o Domingo Espetacular, da TV Record, exibido ontem. De acordo com a reportagem, ele só poderia deixar São Paulo com autorização da Justiça, o que não teria feito.
Segundo Mildred, ele estava no Estado desde o início do ano e não houve qualquer iniciativa do réu em comunicar a troca de endereço. Ele ainda teria passado pelo Estado do Rio de Janeiro, antes de ir para Santa Maria, onde esperava fixar residência. O processo de Rugai está suspenso devido a uma "avalanche de recursos da defesa", de acordo com Mildred.
Ele foi libertado com um recurso no Supremo Tribunal Federal há cerca de um ano e meio. O processo corre no 5° Tribunal do Júri do Fórum Criminal da Barra Funda.
Com o pedido de prisão, Mildred espera que Rugai seja julgado com mais rapidez. "Esperamos que o processo seja acelerado após essa prisão", disse. A promotora acredita que a privilegiada condição econômica de réu tenha sido um fator determinante nos atrasos sofridos pelo processo.
A promotora afirma que, para o Ministério Público, ele jamais poderia ter sido colocado em liberdade. "Eu acredito que em um crime como esse, com a repercussão que teve, ele jamais poderia ter sido solto", afirmou Mildred.
O advogado do ex-seminarista afirma que o STF não impôs condições para a soltura de seu cliente e que, portanto, ele não precisaria comunicar à Justiça onde estava. Ele poderia morar em qualquer lugar do Brasil e do mundo, disse Fernando José da Costa. "Ele pode fixar residência em qualquer lugar do Brasil e do mundo", disse.
Sobre o pedido de prisão feito hoje pelo Ministério Público, o advogado afirmou que não tomará qualquer providência por não acreditar que ele seja concedido. Segundo o advogado, seu cliente fixou residência em Santa Maria e "quem aluga uma casa, não foge".
A promotora comentou ainda o fato de Rugai não ter sido reconhecido em Santa Maria. "No Rio Grande do Sul, naquele local, as pessoas são muito focadas apenas no Estado e, por isso, talvez um caso de repercussão nacional não tenha tido o mesmo interesse", afirma.
Fonte: Hermano Freitas
Palavras-chave: Gil Rugai
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