Das mãos habilidosas e delicadas de 30 bordadeiras do Piauí, que fazem parte da Associação das Bordadeiras da Central de Compras de Teresina (ABCCT), essas técnicas de artesanato de bainha são resgatadas, garantem renda e ainda são premiadas.
A associação foi uma das 100 unidades produtivas selecionadas pelo Prêmio Top 100 de Artesanato, com a primeira edição realizada pelo Sebrae em 2006.
O prêmio identifica artesãos que desenvolvem trabalhos com inovação, adequação econômica, ergonômica e funcional.
Além disso, a produção deve respeitar o meio ambiente, ter eficiência produtiva, adequação cultural e logística, compromisso social e gestão empresarial, entre outros itens.
Como destaca a artesã da ABCCT Germina Rodrigues da Costa Leal, o prêmio trouxe inúmeros benefícios, além de aumentar a auto-estima das artesãs.
Depois de participarmos do Top 100 a nossa vida melhorou uns 50%.
As vendas aumentaram tanto que até abrimos uma loja de artesanato no centro de Teresina.
Vendemos para todo o Brasil.
Até o Paulo Betti, aquele ator da TV Globo, veio filmar uma novela por aqui e ficou encantado com o nosso trabalho.
Ele comprou muita coisa, conta com orgulho.
A associação foi fundada em 2003 para proporcionar às mulheres da região a complementação da renda familiar.
A artesã explica que na maioria as associadas eram donas de casa sem qualquer renda.
Hoje chegam a receber mais de R$ 600 por mês e sentem-se mais valorizadas pelo trabalho que fazem.
Outra associada, a bordadeira Maria Sueli diz que ganhar R$ 300 ou 600 é difícil e requer dedicação.
Trabalhamos de forma 100% manual.
O bordado de bainha é extremamente delicado, contamos fio por fio, ponto por ponto.
O que mudou com a associação foi a questão da profissionalização.
Para ter uma boa renda, é preciso dedicação e trabalhar de oito a 12 horas por dia, antes não era assim, agora temos consciência disso, afirma.
Diferencial Por ser muito difundido no Nordeste, o bordado se sobressai pelos detalhes.
Como é o caso dessas bordadeiras, que resgataram uma técnica de trabalho em bainha e utilizam em seus trabalhos elementos da cultura popular.
Cantigas de roda, lendas e contos da região viraram desenhos e são aplicados nas peças, que vão de guardanapos a toalhas de banquete e colchas.
Dona Germina explica que o artesanato de bainha chegou ao Brasil na época da colonização.
As sinhás traziam peças da Europa e entregavam as suas mucamas para que fizessem igual.
A técnica consiste em desmanchar o barrado do tecido e refazer manualmente utilizando apenas uma agulha e muita habilidade.
A gestora de Artesanato do Sebrae/PI, Rosa de Viterbo Cunho, diz que a seleção da associação se deu a partir da qualidade e da padronização das peças, do resgate cultural e do trabalho social.
O Prêmio Top 100 tem o objetivo de promover o artesanato brasileiro e mais uma vez reconhecer as 100 unidades produtivas mais competitivas do País.
Podem participar da disputa artesãos, cooperativas, associações ou grupo de produção artesanal.
As inscrições vão até o dia 30 de setembro e podem ser feitas pelo site www.top100.sebrae.com.br
Os vencedores receberão um certificado de premiação, autorização de uso do selo 'Prêmio Sebrae Top 100 de Artesanato' e divulgação de três produtos em sites e materiais promocionais.
Além disso, participarão de Rodada de Negócios.
Os selecionados pelo Top 100 serão conhecidos em dezembro.
A cerimônia de premiação está prevista para o dia 18 de março de 2009 em São Paulo.
Os ganhadores terão as despesas de deslocamento e hospedagem pagas pelo Sebrae.
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