O Banco Central reforçou seu arsenal contra os efeitos da crise global no câmbio. Com os negócios praticamente travados nesta quarta-feira, o BC decidiu usar as reservas internacionais e vender dólares ao mercado sem compromisso de recompra --algo que não era visto desde março de 2003.
Até às 11h35, foram anunciados três leilões dessa natureza, com taxas de corte decrescentes: 2,4485 reais, 2,3700 reais e 2,3560 reais.
"O BC está certo. Ele tem 200 bilhões de dólares em reservas para isso mesmo, para queimar quando o mercado está em pânico. Tem que fazer leilão mesmo porque o mercado está em pânico", afirmou Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.
Operadores, até agora, não souberam informar o volume de dólares efetivamente vendido. Mas é fato que as cotações desaceleraram após as operações do BC.
O mercado de câmbio amanheceu travado, com as negociações de dólar futuro atingindo o limite máximo de alta de 6 por cento logo no início do pregão, a 2,462 reais. Com isso, o chamado mercado interbancário de balcão ficou sem referência.
Às 11h40, o dólar à vista negociado no pregão eletrônico da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) subia pouco mais de 3 por cento, a 2,390 reais.
Nos últimos dias, o BC vinha administrando a crise sem fazer uso das reservas dessa maneira. As opções eram leilões de contratos de swap cambial tradicionais --que funcionam como uma venda futura de dólares-- e leilões compromissados --com venda de dólares ao mercado e compromisso de recompra da moeda pelo BC.
Fonte: Abril
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