O dólar comercial retomou a tendência de alta nesta sexta-feira, apesar das operações de venda de moeda à vista pelo Banco central e leilão de swap. A moeda americana sofreu influência do pânico que toma conta do mercado mundial e disparou a R$ 2,31 para compra, com alta de 5,27%.
A divisa, que subiu 13,69% nesta semana, acumula alta de 22% em outubro, voltando aos patamares registrados há mais de dois anos.
"O mercado está bem ruim, e não tem muita coisa de novo", resumiu Luis Piason, gerente de operações de câmbio da Corretora Concórdia, lembrando que a cautela dos investidores antes do final do semana esvaziou a sessão. Os últimos dados disponibilizados da Bolsa de Mercadorias & Futuros mostravam um volume inferior a US$ 2 bilhões.
O Banco Central realizou nesta sexta-feira três leilões de venda de dólares no mercado à vista, procurando derrubar a cotação do dólar com a injeção direta da moeda norte-americana no mercado. No último leilão, anunciado após as 16h, a autoridade monetária definiu a taxa de corte a R$ 2,3180.
O BC também realizou um leilão de swap cambial tradicional, vendendo 11.940 contratos com volume equivalente à US$ 589 milhões. Tais intervenções, no entanto, não foram o suficiente para compensar os péssimos desempenhos das bolsas.
Na quarta-feira o BC realizou o primeiro leilão de dólar para tentar conter as fortes altas da moeda. Desde 13/03/2003, início do governo Lula, a instituição não fazia esse tipo de venda direta, em que a moeda sai das reservas e passa às mãos dos compradores.
"O BC atuou mas não adiantou muita coisa", afirmou Piason. "Ontem, ele conseguiu segurar um pouco (a cotação do dólar) mas hoje o mercado estava muito ruim."
Bovespa
No final de uma sessão marcada por extrema volatilidade, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa)reduziu parte das perdas exibidas pela manhã mas cravou a sétima queda consecutiva.
A bolsa paulista terminou o dia com queda de 3,97%, aos 35.610 pontos. O resultado acontece em meio ao caos dos mercados mundiais, que registram um dos piores dias desde o começo da crise financeira. O ritmo extremamente volátil dos negócios na última hora turbinou o giro financeiro do pregão para R$ 5,4 bilhões.
As operações foram paralisadas entre 10h35 e 11h05, quando o índice registrou perdas de 10,19%. Em menos de duas semanas, este é o terceiro pregão em que o mecanismo de "circuit breaker" - que é a interrupção dos negócios - é ativado. Num dos dias, a Bovespa chegou a parar por duas vezes as operações.
Nova York
Em Wall Street, o índice Dow Jones, também em sessão volátil, caiu 1,5%, depois de ter chegado a recuar mais de 7%e a subir cerca de 2%.
Europa
O principal índice acionário europeu teve nesta sexta-feira o fechamento mais baixo em mais de 5 anos, em meio ao pânico que provocou a venda de ações financeiras.
O FTSEurofirst 300 perdeu 7,6%, para 851 pontos --menor fechamento desde julho de 2003. Na mínima, o indicador chegou a despencar 9,9% e teve a pior semana já vista, com queda de 22%. As perdas nos mercados europeus acompanham a acentuada queda das bolsas asiáticas.
Ásia
As bolsas asiáticas também despencaram nesta sexta. Em Tóquio, a mais importante da região, o índice Nikkei 225 chegou a cair 11%, terminando negativo em 9,62% aos 8.276,43 pontos, o pior resultado desde o que os japoneses chamam de “Sexta-Feira Negra”, em outubro de 1987.
Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu para abaixo de 15 mil pontos pela primeira vez desde janeiro de 2006. Fechou com queda de 7,19% aos 14.796,87 pontos.
Na Bolsa de Xangai o índice Composite terminou com perdas de 3,57% aos 2.000,57 pontos.
Também nesta sexta, a seguradora japonesa de capital fechado Yamato Life Insurance entrou com pedido de falência. A instituição financeira é a primeira do Japão a quebrar por conta da turbulência do mercado gerada pela crise das hipotecas de alto risco.
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