Nacional Domingo, 05 de Julho de 2009

Após 26 anos, cearense conhece a irmã no local de votação

27/10/2008 - 10h18min

O Jardim Santo André, mesmo bairro da cidade do ABC onde no último dia 18 ocorreu a tragédia envolvendo a adolescente Eloá Pimentel, ontem foi palco de um momento inusitado e feliz: o encontro de duas irmãs de 26 e 29 anos que não se conheciam.

Por conta das eleições municipais, a operadora de caixa Paloma Sena da Silva, 26 anos, e a doméstica Alexsandra de Sena Vasconcelos, 29, se encontraram na sala na qual Alexsandra foi votar, na Escola Estadual Edevaldo Perassi, a poucas quadras do prédio onde Eloá foi baleada pelo ex-namorado.

Disposta a encontrar a irmã, Paloma pesquisou o site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e descobriu o lugar onde alguém com nome idêntico ao de Alexsandra votava, em Santo André. Mesmo sem a certeza de que fosse realmente sua irmã, ela então viajou de avião de Fortaleza, no Ceará, onde nasceu e mora com os pais, para conhecer a irmã.

"Preenchendo o nome dela, a data de nascimento e o nome da nossa mãe, localizei a zona e a seção eleitorais pela internet. Um conhecido usou o mesmo método para achar um parente. Desembarquei em Guarulhos no sábado e, desde as 8h de hoje [ontem], fiquei aguardando em frente à sala onde minha irmã deveria votar", contou Paloma.

Às 14h30 de ontem, após uma longa e angustiante espera de Paloma, Alexsandra finalmente foi votar, acompanhada dos seus três filhos e de dois amigos. Mesários ajudaram Paloma a identificar a irmã, que nem sabia da existência da parente. Em meio à emoção, as duas mulheres não contiveram as lágrimas.

"Ela é minha irmã? Vocês estão de brincadeira?", disse, surpresa, Alexsandra. "Foi difícil demais encontrar você", respondeu Paloma, com voz embargada, momentos antes de as duas se abraçarem e caírem de vez no choro.

Alexsandra é fruto do primeiro casamento da comerciante Francisca Sena de Vasconcelos, 48 anos, que se separou quando a primeira filha tinha pouco mais de um ano de idade. Alexsandra ficou com a mãe em Morada Nova, no interior do Ceará, mas o pai -o tratorista Antônio Teixeira de Vasconcelos, 58 anos- levou embora a filha, então com dois anos, ao final de uma visita. Sem contato com a mãe, Alexsandra nem sabia que tinha irmãs por parte materna. Paloma tem outras duas irmãs no Ceará, e uma delas também é irmã por parte de mãe de Alexsandra.

A doméstica foi criada pelo tio paterno no Nordeste até os 12 anos. Com essa idade, mudou-se para o Jardim Santo André, onde seu pai mora e constituiu outra família. Hoje, ela reside sozinha no mesmo bairro com seus três filhos -o pai das duas crianças mais velhas foi assassinado na região há cerca de quatro anos e, recentemente, ela se separou de outro companheiro, com quem teve a filha mais nova. "Atualmente, tenho uma relação amigável com meu pai, mas nem o chamo desta forma. Para mim, que vivo só, é uma alegria muito grande saber que tenho mais duas irmãs e posso contar com elas" -ela possui dois irmãos e uma irmã por parte de pai.

Durante o encontro das duas irmãs, a reportagem emprestou um celular para que Paloma avisasse a mãe sobre a descoberta e Alexsandra conversasse com Francisca pela primeira vez em quase 30 anos. "Fica calma, não consigo me conter com você chorando tanto. Você não quer falar comigo?", disse a doméstica à mãe, avisando que ela tem mais três netos. De acordo com Paloma, Francisca não viajou porque temia não agüentar a emoção

Após a reunião, as irmãs combinaram de se reencontrarem hoje, em Suzano, horas antes de Paloma embarcar de volta para o Ceará. "Pretendo levar minha irmã a Fortaleza para que conheça a mãe", afirma Paloma.

Fonte: Agora


Palavras-chave: eleicoes


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