Economia Domingo, 05 de Julho de 2009

Com a fusão do Unibanco com o Itaú nasceu o maior banco do Brasil.

04/11/2008 - 09h44min

Os números impressionam, mais de cem mil funcionários e ativos superiores a 20% do PIB. Apesar da surpresa, era algo que poderia ter sido esperado.

São duas instituições com vocações semelhantes e que vão explorar as sinergias em comum. Ambas começaram como pequenas casas bancárias que combinaram crescimento orgânico com fusões e aquisições de outras instituições. Há mais de meio século, o Unibanco, como a Casa Moreira Salles, e o Itaú, como o Banco Federal de Crédito, foram fundados pelos pais de seus atuais presidentes. De bancos de uma agência só, são agora conglomerados com todo o espectro de produtos financeiros, cobrindo todo o território brasileiro e com atuação internacional.

A operação será um destaque no mercado externo. Os dois têm bancos operando na América do Sul e na Europa. Lá competem com instituições do mundo inteiro em condições de igualdade e com um bom desempenho. É razoável esperar uma expansão maior.

No mercado interno, são dois bancos com tradição no setor de capitais, e o reflexo da fusão nos papéis foi uma alta expressiva, indicando a aprovação dos investidores à operação; há complementação nas duas estruturas e ganhos de escala a serem usufruídos.

Até agora, os reflexos da concorrência bancária nos custos de serviços e nas margens foram fracos, pois, com o mercado crescendo a taxas superiores a 20% ao ano, havia poucos incentivos para iniciar uma guerra de preços. Como é esperada uma desaceleração na expansão dos serviços bancários, o impacto da fusão poderá ser um estreitamento de margens mais rápido, redundando em uma oferta mais acessível ao consumidor.

O foco das atenções é o que acontece com a concorrência dentro do país. Há três compras anunciadas (Nossa Caixa, BRB e Banco do Piauí), mas, considerando suas dimensões, não alteram de forma significativa o mapa. No segmento de bancos médios e pequenos não são esperados movimentos, mas uma ou outra surpresa faz parte da dinâmica do mercado.

O restante do sistema não deve mudar significativamente nos próximos meses. O processo de aprovação da fusão por Banco Central, Cade e demais reguladores é demorado. A integração de plataformas tecnológicas também é lento. É razoável só esperar efeitos visíveis da fusão no final de 2009 ou no começo de 2010.

Até lá, a reação dos outros quatro grandes é restrita, ou nula.

O Bradesco e o Santander são muito diferentes para pensarem em uma fusão, e a Caixa e o Banco do Brasil têm muito a ganhar, mas não o farão.

São duas instituições de vocações quase idênticas, voltadas para o varejo nacional, têm o mesmo acionista controlador -o Tesouro Nacional-, operam em escala nacional e teriam sinergias consideráveis se operassem como uma só.

O porquê da não-fusão e da fusão é mais um reflexo do setor público amarrado no passado e o privado focado no futuro.

Roberto Luis Troster , 58, é sócio da Integral Trust e foi economista-chefe da Febraban (Federação Brasileira de Bancos);

Fonte: Roberto Luis Troster - Folha de São Paulo


Palavras-chave: itau , unibanco


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