Carlos Mendes em O Estado de São Paulo deste sábado revela que as as Polícias Federal, Civil e Militar despejaram 300 famílias ligadas ao Movimento dos Sem-Terra (MST) que ocupavam a Fazenda Nega Madalena, em Tucumã, no sul do Pará. A fazenda é uma das sete propriedades pertencentes aos narcotraficantes Fernandinho Beira-Mar e Leonardo Mendonça, que cumprem pena em presídios de São Paulo e Goiás. A ordem judicial foi expedida pelo juiz federal de Marabá, Carlos Henrique Haddad.
Os advogados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Xinguara, que defendem os sem-terra, ingressaram com recurso no Tribunal Regional Federal em Brasília contra a decisão do juiz, mas, antes de o recurso ser julgado, Haddad autorizou o despejo.
O MST afirma que o despejo quebrou um acordo prévio entre a Justiça Federal de Goiás, o Incra e as famílias do acampamento, que já tinham concordado em sair pacificamente da área para que os técnicos do instituto pudessem realizar os trabalhos de identificação e vistoria do imóvel. Segundo o MST, o Incra já havia se comprometido a arrematar a fazenda em leilão.
Procurado, o juiz Carlos Haddad informou que não se manifesta sobre decisões tomadas. O Incra confirma que faz medições na área.
INVASÃO
Cerca de 80 militantes do MST invadiram ontem a Fazenda Santo André, em Martinópolis (SP), região de Presidente Prudente. O grupo exige que o Incra faça assentamento na fazenda, que tem 7 mil hectares. É a segunda invasão da área em apenas 12 dias. A propriedade estaria na lista das terras que serão compradas pelo Incra para fins de reforma agrária no Estado.
Em São Gabriel (RS), o Incra desapropriou 5.028 hectares da Fazenda Southall. A área, denominada Estância do Céu e localizada na região da fronteira oeste do Rio Grande do Sul, é quase 40% do complexo da Southall, que tem quase 13 mil hectares. O Incra pretende assentar 330 famílias no local até o fim do ano. Falta apenas a formalização da compra, no valor de R$ 31,6 milhões. O proprietário da fazenda, Alfredo Southall, não quis dar mais detalhes sobre a negociação.
Colaboraram SANDRO VILLAR e CARLOS ALBERTO FRUET
Fonte: O Estado de São Paulo
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