Um ganhador da Mega-sena foi morto em Limeira na noite deste domingo após reunir amigos para um churrasco na chácara Portal das Flores, em Limeira, a 147 km de São Paulo. Altair Aparecido dos Santos, de 43 anos, fazia parte de um grupo de amigos que ficou conhecido como "grupo de Limeira", havia participado de um bolão que ganhou R$ 16 milhões na Mega-sena há um ano. O prêmio foi rateado por 14 pessoas, mas dois homens ficaram de fora porque na semana do sorteio não tinham pago o bolão, que era semanal.
Neste domingo, por volta de 21h30m, Altair foi baleado após o término do churrasco, quando apagava as luzes da chácara onde morava. Ele não resistiu e morreu. O suspeito é um dos amigos que haviam ficado fora do rateio. Um deles, conhecido como "Chaveiro", teria ameaçado Altair há três dias.
O grupo ganhou o prêmio em maio de 2007, no concurso 869 da Mega-sena, com as dezenas 27, 29, 42, 49, 50 e 51. Os amigos costumavam se reunir no Bar Gente Fina, na periferia de Limeira. O prêmio foi dividido em cadernetas de poupança na CEF e dois integrantes do grupo ficaram de fora. Ambos ameaçaram ir à Justiça para receber parte do prêmio e registraram boletim de ocorrência de "preservação de direitos".
Em junho do ano passado, havia sido noticiado que os dois fecharam acordo com os demais apostadores. O motorista Igor Vieira Camargo, de 26 anos, teria recebido R$ 500 mil. Dorgival Bezerra de Oliveira, 50 anos, não revelou a quantia do acerto.
Igor alegava que os donos do bar anotaram em sua conta os R$ 5 da participação do bolão, que era feito há quase dois anos. O motorista ficou sabendo do prêmio quando fazia uma entrega em Atibaia. A mãe dele ligou para perguntar se havia jogado, pois ficou sabendo que o vencedor era de Limeira.
Em seguida, passou a ligar para um dos sócios do bar e acabou descobrindo que o prêmio já havia sido dividido. Ele dizia que parte do dinheiro serviria para comprar um andador e pagar um plano médico para a filha, que tinha problema de coluna e não andava. Teria sido o primeiro a fechar acordo com os donos do Bar Gente Fina, que coordenavam o bolão.
Dorgival ficou sabendo por um vizinho que havia comemoração em outro bar da cidade por conta do prêmio. Foi até lá e ficou sabendo que tinha ficado de fora. "Fui até lá, mas eles falaram: "desta vez você não está, a gente resolveu fazer o jogo de última hora", contou Dorgival na ocasião, alegando participava do bolão há um ano e meio e sempre colocavam o nome dele na lista. Dorgival chorou tanto que a mulher, a balconista Marildete Rodrigues de Oliveira, disse que achou que ele ia enfartar.
Fonte: Cleide Carvalho, O Globo
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