Local Domingo, 05 de Julho de 2009

Cáritas do Piauí participa da V FERAPI

21/11/2008 - 21h04min

Quem passa pela Praça Pedro II, em Teresina, Piauí, percebe o clima de cultura. São rodas de capoeira, vendas de produtos agrícolas, artesanais, produtos de limpeza; lançamento de livros, mostra de vídeos e diversas formas de manifestação cultural dos povos extrativistas, das quebradeiras de coco, das comunidades quilombolas, dos agricultores e das agricultoras familiares que estão participando da 5ª edição da Feira Piauiense de Produtos da Reforma Agrária e Comunidades Quilombolas – FERAPI que acontece no período de 18 a 21 de novembro.

Reunindo um público de aproximadamente mil pessoas, a V FERAPI tem como tema "Policultura e Educação", que visa discutir os aspectos políticos, econômicos, ambientais e culturais além das várias vivências e múltiplos olhares sobre o assunto. Trata-se de um espaço de levar o conhecimento da comunidade, o significado e o impacto de reforma agrária para a economia local do Estado.

A Cáritas Brasileira Regional do Piauí é uma das parceiras do evento e contribuiu com a comunicação da feira e discussões em três importantes momentos. Na mesa-redonda sobre policultura, a coordenadora pedagógica da Cáritas, Hortência Mendes aprofundou os aspectos socioeconômicos da policultura. "A policultura, ao longo dos anos, foi perdendo força para a monocultura que é fortalecida pelo capitalismo e acelerada pela globalização que provoca, na sociedade, o aumento da padronização do consumo", diz Hortência. 

Hortência acrescenta que o capitalismo criou a divisão das relações de trabalho no meio urbano e rural, pois dividiu os papéis, ou seja, "existem aqueles que produzem e os que comercializam; os que realizam trabalhos braçais e os que desenvolvem trabalhos intelectuais e isso provocou uma mudança nas relações", mas explica que acredita na capacidade do ser humano em superar essas condições e "buscar uma vida coletiva e feliz".

Num segundo momento, o assessor técnico da Cáritas, João Evangelista, participou de uma mostra de vídeos sobre a convivência com o semi-árido apresentando a vídeo-carta do projeto Fecundação, uma proposta de carta coletiva elaborada pela comunidade na qual, as famílias do município piauiense de Coronel José Dias contam, através de depoimentos, a realidade em que viviam no município e as mudanças provocadas pelo projeto.

O projeto fecundação é desenvolvido na diocese de São Raimundo Nonato, sul do Piauí e trabalha a Convivência com o Semi-árido em 04 aspectos: Gestão, Educação, Recursos hídricos e produção, com o objetivo de promover uma nova relação de trabalhadoras e trabalhadores com o semi-árido, através da inserção de novas práticas de convivência com a terra, com água e com o meio ambiente; novas tecnologias acessíveis às comunidades, uma educação contextualizada e a gestão democrática dos projetos sociais.

João considera que a própria mostra de vídeo é um processo de mobilização para a convivência harmoniosa com o semi-árido. "Aqui as pessoas estão discutindo e assistindo a experiências positivas de famílias que moram no semi-árido piauiense, isso representa o primeiro passo de um processo de mobilização para a convivência harmoniosa com a região", afirma.

"No semi-árido apagou-se aquela imagem de seca e terra rachada e o vídeo mostra justamente isso", fala João Evangelista. E acrescenta o empenho da Cáritas em "trabalhar com toda a capacidade institucional para desenvolver um projeto de educação contextualizada e convivência com o semi-árido junto às famílias e escolas piauienses", enfatiza.

Para Codorcel Ribeiro, do assentamento Marrecas, no município de São João do Piauí, a discussão é muito positiva, pois sempre defendeu uma educação contextualizada no âmbito local. "Acredito que é necessário realizarmos mais discussões como essa entendermos como esse processo contextualizado pode chegar ás nossas comunidades", afirma. "Acredito que é necessário que os governantes trabalhem com a realidade dos municípios, fortalecendo a presença da comunidade em sala de aula, enfatiza Codorcel.

Num terceiro momento, Hortência Mendes participou de uma mini-plenária sobre "Movimento de Mulheres – possibilidades, avanços e desafios" abordando a divisão sexual do trabalho sobre três principais aspectos: dos sentimentos, no qual o trabalho passou a ser dividido a partir do estereótipo do perfil feminino; da divisão geral do trabalho por meio do qual a mulher sempre foi relacionada ao trabalho manual e do funcionamento biológico do cérebro humano que permite ao homem e à mulher executar toda forma de trabalho.

Hortência esclarece que essas questões acabam gerando três principais conseqüências, ou seja, "esses aspectos geram também três grandes efeitos como a violência, prejudica a saúde física e mental e gera uma mulher ausente das discussões sociais, políticas e econômicas", considera. E acrescenta que apenas a iniciativa feminina pode contribuir velozmente para mudança dessa realidade através do envolvimento delas nos movimentos sociais.

A V FERAPI conta com produtos trazidos pelos assentados e quilombolas de todo o Piauí. Além de apresentações artísticas; cursos e oficinas de estética negra, culinária, capoeira, artesanato em argila, palha e madeira; seminários; mini-plenárias sobre as bases de comercialização nos territórios rurais, universidade e sociedade, debates sobre movimento negro e de mulheres. "Representa um espaço onde o povo se reconhece e fortalece sua cultura", considera o coordenador das comunidades quilombolas do Piauí, Antonio Bispo.


Palavras-chave: caritas


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