Policial Domingo, 21 de Março de 2010

"Foi tudo muito rápido", diz sobrevivente de explosão em sede da PF em Manaus

01/03/2009 - 07h33min

O perito Marcos Antônio Mota Ferreira, que estava em uma sala ao lado no momento da explosão no laboratório da Polícia Federal em Manaus (AM) nesta sexta (27), disse em entrevista à Folha Online que não lembra de muitos detalhes do acidente que matou três pessoas e o deixou ferido.

"Foi tudo muito rápido na hora da explosão. Tudo ficou escuro, tudo estava caindo, os objetos caindo, a divisória da parede explodindo, é só o que eu me lembro", disse Ferreira.

Durante a entrevista, Ferreira demonstrou dificuldade na fala. Ele disse que sofreu lesões nas costas, na perna e no peito e se recupera dos ferimentos em casa.

Perguntado sobre as causas do acidente, ele preferiu não comentar o assunto. "É melhor que o setor de comunicação da Polícia Federal comente sobre isso", disse.

Depois do acidente, ele foi o único a não ser levado para o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. Segundo o perito, ele recebeu os primeiros cuidados em um hospital público no bairro Alvorada e depois foi levado para um hospital particular, onde recebeu alta.

"Armadilha"

O presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Octavio Brandão Caldas Netto, sugeriu que a explosão pode ter sido uma armadilha.

Segundo Netto, esta possibilidade somente poderá ser comprovada após a conclusão dos trabalhos periciais. A perícia no local da explosão está a cargo da Polícia Civil e da PF no Estado. Inicialmente, a hipótese é de acidente de trabalho.

"Pelo que fui informado, o cilindro que explodiu havia despertado suspeitas de funcionários dos Correios de Manaus. Eles o furaram e encontraram um pó. Realizaram então, como é de praxe, um teste preliminar para identificar cocaína, e o resultado foi positivo. Em seguida encaminharam o cilindro à Superintendência da PF no estado", explicou o presidente da APCF.

Mortos

Três peritos morreram e um ficou ferido na explosão do laboratório. Maurício Barreto da Silva Júnior e Max Neves Nunes --que teve 90% do corpo queimado-- estavam internados na UTI do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, mas não resistiram aos ferimentos.

O perito Antônio Carlos de Oliveira, chegou a ser levado também, mas já estava morto quando chegou ao hospital.

Uma equipe da Superintendência da Polícia Federal em Brasília (DF) foi a Manaus para acompanhar os trabalhos de investigação e prestar assistência às famílias das vítimas.

Fonte: Matheus Magenta / Folha


Palavras-chave: Polícia Federal , Manaus , explosão


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