“A forma mais comum e que não existe contra-indicação para a gestação é quando o homem está infectado e a mulher não. Entretanto todos podem ter filhos, desde que sejam realizados todos os exames e que tenham acompanhamento e aprovação do infectologista.”
Assim como na novela “Chamas da Vida”, Michelle, personagem de Luiza Curvo, conseguiu engravidar de seu namorado soropositivo Guilherme, Roger Gobeth, na vida real também é possível. Até 2005, a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva contra-indicava a gestação em casais sorodiscordante (só o homem ou só a mulher soropositivo) com Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), Vírus da Hepatite C (HVC) e Vírus Linfotrópico Humanoas Células T (HTLV), entretanto pensar em seu futuro reprodutivo foi necessário com o aumento do diagnóstico precoce, o desenvolvimento dos tratamentos e a condição de vida melhor para estes indivíduos.
Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi, especialista em reprodução humana do Instituto Paulista de Ginecologia, Obstetrícia e Medicina da Reprodução, explica que novas técnicas de preparo do sêmen tornaram possível a gestação em casais sorodiscordantes. A forma mais comum e que não existe contra-indicação para a gestação é quando o homem está infectado e a mulher não. “O importante é estabelecer os critérios laboratoriais para o preparo e a forma de utilização do sêmen do homem infectado”. O médico explica ainda que é fundamental nestas casos realizar todos os exames, mesmo que a carga viral no sangue seja baixa ou inexistente, já que isto não elimina a possibilidade de encontrar o vírus no sêmen. “Com o resultado destes exames sendo satisfatório começa-se os exames de rotina para pacientes que desejam engravidar por meio da técnica de fertilização assistida”, diz.
Quando a mulher está infectada a situação clínica da mulher é o fator limitante e tanto a inseminação artificial intra-uterina como a fertilização in-vitro poderão ser realizadas. Nestes casos o médico explica que o parto vaginal e a amamentação devem ser evitados para não ocorrer a transmissão vertical e os casais submetidos a estes tratamentos deverão ser acompanhados por 10 anos. Cambiaghi alerta que devemos lembrar que nestes pacientes há um alto risco para outras doenças sexualmente transmissíveis e a conseqüentemente maior possibilidade de danos tubários.
Quando ambos estão infectados o que definirá a realização do procedimento é o estado clínico da mulher. Se a carga viral positiva for baixa em ambos os parceiros e as condições clínicas da mulher forem satisfatórias, as possíveis discrepâncias das doenças devem ser avaliadas sendo possível a gravidez pelas técnicas de reprodução assistida. Cambiaghi finaliza acrescentando que em casos como o apresentado na novela em que o homem é o paciente infectado o sêmen deve ser coletado alguns dias antes do procedimento para que haja tempo suficiente para o seu preparo e a confirmação da ausência da carga viral até o dia da fertilização.
Palavras-chave: Aids
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