Foto: Gelso Lima
Seqüestrado desde o último dia 27, o advogado e empresário de Diadema, Ademar Michels, foi encontrado na madrugada de ontem no bairro de Pinheiros, na Zona Sul de São Paulo. Ele pediu socorro a um segurança e morreu pouco depois de infarto. Michels foi chefe de gabinete do tio, Lauro Michels que foi prefeito de da cidade em duas ocasiões (1964-1970 e 1976 -1982). Ele também é pai do vereador Lauro Michels Sobrinho (PSDB), de quem coordenou as duas campanhas políticas.
Por volta da 1 hora da manhã o advogado chegou até uma guarita na rua Diógenes Ribeiro de Lima, em Pinheiros, pedindo socorro e dizendo-se vítima de seqüestro. Ele pediu água ao vigilante, Manoel João da Silva, e sentou-se na calçada, porque sentia-se mal. Enquanto o vigia chamava a PM, Ademar teve um infarto e morreu no local. A PM chegou, segundo familiares, 40 minutos depois. "O vigia deu água para ele, deu segurança, agora a gente fica no se. Se a polícia tivesse chegado a tempo, se ele tivesse tido socorro, talvez estivesse aqui do meu lado", lamentou ontem o vereador.
Michels havia sido seqüestrado no dia 27 quando chegava ao seu escritório na rua Manoel da Nóbrega, no Centro da cidade. Ele foi rendido por pelo menos quatro homens que estavam em dois carros. Desde o seqüestro os familiares recebiam ligações da quadrilha, mas o resgate não chegou a ser pago. Segundo o delegado titular do SIG (Setor de Investigações Gerais) da Delegacia Seccional de Diadema, João Barbassa, os criminosos não aceitaram baixar o valor pedido para a soltura do refém, R$ 2 milhões. "A família disse que não conseguiria tamanha quantia, mas continuava tentando negociar", destacou o policial. O último contato com a família foi feito na noite de segunda-feira.
A polícia ainda não sabe ao certo se Michels escapou do cativeiro ou se a quadrilha o liberou. "Como começamos a apertar o cerco eles podem ter se apavorado e libertado o refém, ou também podem ter se desentendido e resolveram desistir do seqüestro", analisou Barbassa.
O delegado disse que as investigações ainda não conseguiram identificar e localizar a quadrilha. "Os contatos com a família eram feitos de lugares diferentes, teve contado feito da Rodovia Fernão Dias, outro em São Caetano, outros em diferentes partes de São Paulo. Fica difícil rastrear porque os criminosos usam chips diferentes de celular que podem ser comprados com números falsos de CPF. A quadrilha também se divide em células, uma arrebata a vítima, outra cuida do cativeiro e outra negocia com a família, muitas vezes uma não sabe da localização da outra", comentou o policial.
As investigações continuam. A polícia disse ter uma série de telefones sendo monitorados com autorização da Justiça. "Ainda não podemos revelar todo o andamento do trabalho para não prejudicar as investigações", finalizou Barbassa.
O corpo de Ademar Michels foi velado durante toda a tarde de ontem no Clube Okinawa, no Parque Sete de Setembro. O local ficou praticamente lotado durante todo o tempo. Autoridades como o prefeito Mário Reali (PT), e o vice, Gilson Menezes foram ao velório. O sepultamento foi realizado no final da tarde no Cemitério Municipal.
Fonte: Geoge Garcia / jornalabcreporter.com.br
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