Mais difícil do que acreditar que uma sogra possa ser tão crédula quanto a Dona Nenê ou que haja um baú de falcatruas tão fundo quanto o do Agostinho é pensar que um programa possa chegar, nos dias de hoje, ao 300º episódio com a audiência ainda tão cativa e o fôlego criativo a todo vapor. Na busca quase obsessiva da televisão por novos formatos, o seriado A Grande Família desafia o tempo e as previsões mais pessimistas sobre queda e segmentação da audiência.
Está inabalável há nove anos na grade da Globo, mantendo uma média acima dos 30 pontos no Ibope e a proeza de agradar a todo tipo de telespectador, de todas as faixas etárias e classes sociais. Um verdadeiro achado, repaginado na TV moderna graças ao elenco afiado, à direção certeira e à produção caprichada a partir de uma ideia original levada ao ar por Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, em 1972.
Numa espécie de comemoração, vai ao ar na próxima quinta-feira, às 22h10, A Grande Família Silva, episódio recheado de metalinguagem. Em mais uma de suas empreitadas, Tuco (Lúcio Mauro Filho) mobiliza toda a família em torno de um documentário, que pretende inscrever num concurso - lembre-se que ele é ex-BBB, e não perde qualquer oportunidade de entrar para o mundo do entretenimento.
"Essa história marca um pouco a passagem desses 300 episódios", adianta ao Estado, nos bastidores de gravação, o roteirista Marcelo Gonçalves, que com Bernardo Guilherme assina o texto final da série, produzida por um grupo de oito autores. "A família se reúne para fazer o filme, mas ele não sai bom. No fim das contas, eles descobrem que o melhor são eles mesmos, porque os vizinhos acabam não vendo o filme que eles fizeram, mas assistem a eles tentando fazer o filme - um making of, que é o próprio episódio."
A Família Silva vai cobrir o quintal de casa, estender tapete vermelho e vestir-se de brocados para uma pré-estreia no melhor estilo "glamour garagem", como brincou a equipe os bastidores de gravação.
Uma visita ao quintal da Dona Nenê, e já deu para entender que vai ser mais uma daquela série de situações absurdas que, de uma maneira ou de outra, a gente acaba se reconhecendo. "A gente faz um esforço para escrever histórias que sejam engraçadas, mas que tenham uma força de realidade", explica Bernardo Guilherme. "Se pudesse resumir qual é o segredo do programa, diria que é a identificação."
Fonte: Patrícia Villalba - O Estado de S.Paulo
Palavras-chave: A grande familia , rede Globo , seriado , programa de tv
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