Policial Segunda, 15 de Março de 2010

Mãe protesta ao perder filho para as drogas

03/06/2009 - 14h17min

Reprodução: Diário do Pará

O drama do vício das drogas, aliado à violência dos traficantes, fez mais uma vítima na madrugada de ontem, no bairro do Bengui, em Belém. O jovem Quelvin Átila Maia Wanzeler, de 27 anos, foi morto com um tiro na nuca, na rua Valdir Acatauassú Nunes, por traficantes do bairro.

O rapaz, que era viciado, estaria devendo dinheiro aos bandidos e ontem a dívida foi cobrada com a vida de Quelvin. Juscelina Maia, mãe da vítima, entrou em desespero ao saber do crime e, de posse de um megafone, clamava a Deus a volta do filho e protestava contra os traficantes que o mataram.

Um jovem alegre, inteligente, amante de futebol, mergulho e um apaixonado por helicópteros, a ponto de ter feito um curso de pilotagem para esse tipo de aeronave, mas Quelvin vivia um drama que aflige milhões de pessoas no mundo, o vício das drogas.

Foi o vício que teria levado o rapaz, na madrugada de ontem, por volta das 5h30, até um ponto de venda de drogas localizado na rua São Bento.

Ele deixou o carro em que estava, um Santana azul, na rua Nossa Senhora das Graças e seguiu até a São Bento. Pelas circunstâncias em que foi encontrado o corpo, ele provavelmente nem chegou ao ponto de venda de drogas, sendo abordado no caminho por desconhecidos. Ele supostamente teria corrido de volta ao carro, mas acabou sendo alcançado e executado com um tiro na nuca.

A vítima carregava uma bermuda jeans, que, na avaliação dos policiais que estiveram no local, seria utilizada como moeda de troca pela droga.

“Ele provavelmente tentou voltar para o carro, mas não deu tempo. Os comentários são de que ele estava devendo dinheiro aos traficantes da área”, comentou o cabo Elói, da 5ª ZPol, da Polícia Militar, que atendeu a ocorrência e isolou o local do crime.

Vítima teve casa invadida pelos seus assassinos
A mãe de Quelvin, Juscelina Maia, que mora na rua Deus é Pai, foi informada do crime. A senhora, que é evangélica, entrou em desespero e chegou ao local do crime munida de um megafone. A mulher clamava a Deus pela ressurreição do filho e pedia aos presentes para que fizessem uma corrente de fé para o seu filho.

“Que ele (Quelvin) possa ressuscitar em Teu nome, em Tua glória, Senhor. Ressuscita ele e eu vou pregar Teu evangelho nessa terra. Se estiver na Tua vontade. Ele morreu porque vocês (traficantes) vendiam drogas para ele. Vocês destruíram meu filho, mas perdoo vocês”, bradava a mulher no megafone.

Há cerca de duas semanas, Quelvin quase foi preso depois que a equipe do cabo Elói, da PM, o flagrou com duas mulheres, uma delas adolescente, consumindo drogas em uma rua do mesmo bairro em que ocorreu o crime.

Porém, ele conseguiu fugir e permaneceu em liberdade. “Antes, ele estivesse preso na cadeia que isso não teria acontecido. Eles estiveram lá (em casa) e não o prenderam”, dizia a mulher para o cabo Elói.

O desespero de Juscelina e as palavras de fé que proferia emocionaram a todos os que estavam no local do crime. Várias pessoas foram às lágrimas ao ouvir o choro e gritos de desespero da mulher. “É triste demais a gente ouvir isso. Ninguém sabe o que é perder um filho dessa maneira”, disse uma moradora.

SILÊNCIO
- No local, a polícia obteve poucas informações sobre o crime devido à chamada “lei do silêncio”, imposta pelo receio de represálias de traficantes e bandidos da área.

Mas uma amiga da vítima revelou que a morte de Quelvin era “um jogo de cartas marcadas, pois ele devia para um traficante”. Há alguns dias três homens e uma mulher invadiram a casa onde morava a vítima, a mãe e um irmão. Eles fizeram ameaças a Quelvin, chegando até a colocar uma arma na cabeça dele.

Os bandidos ainda assaltaram Juscelina, todavia acabaram devolvendo os pertences da mulher.

INSEGURANÇA - Quelvin era primo do ex-diretor do Centro de Perícias Científicas “Renato Chaves” (CPC “RC”), Miguel Wanzeler, que esteve no local do crime e desabafou sobre a falta de segurança que assola o Estado. “É por isso que estou brigando contra o Estado. É essa falta de segurança que se tornou insustentável. Eu era do sistema de segurança e me tiraram porque denunciei isso”, disse Miguel.

EXTORSÃO -
Um amigo da vítima, que pediu anonimato, denunciou que alguns policiais sabiam que o rapaz era viciado e que a família era constantemente extorquida por estes policiais. Quelvin trabalhava com o pai, que é empresário do setor de transportes. “Eles faziam isso porque sabiam que a família tinha dinheiro”, disse.

A mãe de Quelvin só se acalmou depois que foi feita a perícia do corpo e do local do crime, além da remoção do cadáver para o CPC “Renato Chaves”. Ela foi levada para casa, onde foi amparada por familiares.

Ocaso foi registrado na Delegacia do Bengui. O delegado Heitor Pinto abriu inquérito para apurar a morte de Quelvin, mas, até o momento, o nome de possíveis suspeitos de serem os autores do crime não eram conhecidos pela polícia.

No Orkut, amigos e familiares expressam a dor
Na página pessoal de Quelvin, no Orkut (site de relacionamentos), amigos deixaram recados registrando a tristeza pela morte inesperada do rapaz.

 A mais emocionante foi a mensagem deixada pela prima dele, Keth Wanzeler. São as mesmas palavras ditas por Ana Carolina Oliveira, mãe da menina Isabella Nardoni, assassinada no dia 29 de março de 2008. “A morte não é tudo. Não é o final. Eu apenas passei para a sala seguinte. Nada aconteceu. Tudo permanece exatamente como foi. Eu sou eu, você é você, e a antiga vida que vivemos tão maravilhosamente juntos permanece intocada, imutável.

O que quer que tenhamos sido um para o outro, ainda somos. Chame-me pelo antigo apelido familiar. Fale de mim da maneira que sempre fez. Não mude o tom.Não use nenhum ar solene ou de dor. Ria como sempre fizemos das piadas que desfrutamos juntos. Brinque, sorria, pense em mim, reze por mim. Deixe que o meu nome seja uma palavra comum em casa, como foi. Faça com que seja falado sem esforço, sem fantasma ou sombra. A vida continua a ter o significado que sempre teve. Existe uma continuidade absoluta e inquebrável. O que é esta morte senão um acidente desprezível. Por que ficarei esquecido se estiver fora do alcance da visão? Estou simplesmente à sua espera, como num intervalo, bem próximo, na outra esquina. Está tudo bem!”. 

Fonte: Diário do Para


Palavras-chave: drogas , diario do pará


Comentários (1)

10/06/2009 - 13h20min

Dificil de acreditar

Po cara como vc deixou que isso acontecesse com vc?!?!? É dificil de acreditar um amigo de infância nos deixar assim desse jeito. Muito triste... Onde quer que esteja, estejas em paz, irmão.

Marcelinho, Porto Velho-RO

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