O Projeto Teatro Popular 1,99 apresenta, nesta sexta-feira (5), o espetáculo Três da Épica Cia de Criação, no Theatro 4 de Setembro, com o objetivo de oferecer ao público lazer cultural a preço acessível. O espetáculo traz aos palcos uma visão diferente e profunda da mais importante lenda do Piauí O Cabeça de Cuia.
A Épica Cia de Criação surge no cenário artístico com o objetivo de investigar e resgatar elementos do folclore e das artes do Piauí, num profundo mergulho dentro da nossa identidade cultural, com a proposta de agregar em torno de seus trabalhos não só o teatro, mas também outras vertentes artísticas.
O projeto do espetáculo foi iniciado com entrevistas e pesquisas de campo, pois muita coisa a respeito da lenda não está em livros ou registrada adequadamente. Toda essa investigação norteou o trabalho de montagem e fez com que a Cia optasse em trazer aos palcos o lado místico da lenda, além de agregar a este uma profunda discussão social. Para isso, foi usada como base textual a peça do professor Gomes Campos, O Pescador e o Rio, uma obra poética que tem em sua essência uma visão profunda sobre o significado social desta lenda.
A Épica Cia de Criação foi fundada em 2008, a partir do Núcleo de Investigação Teatral, um grupo de pesquisa que trabalhou em 2007, nas dependências do Ciarte Matadouro. Inicialmente, a ideia de implementar o núcleo veio da necessidade de possibilitar aos participantes conceber uma linguagem comum, objetivos artísticos semelhantes e uma unidade profissional.
Apesar de ser uma companhia nova, a Épica conta com artistas que já possuem experiências em outros grupos, além de contar com jovens promessas que se destacaram durante o ano de 2007. Como exemplo os atores Allisson Matheus e Luana Dias, que faziam parte da Trupe Liceu de Teatro e conquistaram o 3º lugar na categoria Conjunto Contemporâneo Dança-Teatro, no Festival de Dança de Teresina, em 2007. À frente das atividades artísticas do grupo está Wander Lima, que este ano completa 10 anos de teatro no Piauí, tendo criado na cidade vários grupos e participado de festivais de relevância no cenário nacional.
De acordo com a Cia, a opção pelo místico se deu pela relação do povo piauiense com o Rio Parnaíba, através do sincretismo religioso e tendo como foco principal de trabalho o universo cultural piauiense a fim de valorizá-la a partir de um espetáculo diferenciado, intenso, provocativo e que tem coragem de trazer para o palco uma visão mística, lidando com elementos dos ritos católicos e com as entidades cultuadas na umbanda.
Fonte: Roberta Rocha / Raylde Jansen
Palavras-chave: cabeca de cuia , lenda do cabeca de cuia , teatro
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