O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou nesta segunda-feira o que considera um golpe de Estado em Honduras e afirmou que o Brasil não aceitará o novo governo do presidente hondurenho interino, Roberto Micheletti, que assumiu o cargo depois que soldados prenderam o presidente eleito Manuel Zelaya, no domingo, e o enviaram para o exílio na Costa Rica.
Em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente, Lula afirmou que a única saída para o país é a democracia. "Não há meio termo. Temos que condenar esse golpe", disse.
Zelaya foi detido neste domingo por um grupo de militares, horas antes de o país iniciar uma consulta pública sobre um referendo para reformar a Constituição.
O presidente deposto queria incluir o referendo sobre a convocação da Assembleia Constituinte --que, segundo críticos, era uma forma de Zelaya instaurar a reeleição presidencial no país-- nas eleições gerais de 29 de novembro. A proposta, contudo, foi rejeitada pelo Congresso.
Os parlamentares afirmaram que a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei e desrespeito a ordens e decisões das instituições". Já no exílio, Zelaya defendeu-se dizendo que foi deposto "em um complô de uma elite voraz, uma elite que só quer manter o país isolado, em um nível extremo de pobreza".
O golpe em Honduras foi criticado duramente por Lula, que o associou ao passado de ditaduras militares na América Latina.
"Não podemos aceitar ou reconhecer qualquer novo governo que não seja o do presidente Zelaya, porque ele foi eleito diretamente pelo voto, cumprindo as regras da democracia. E nós não podemos aceitar mais, na América Latina, alguém querer resolver o seu problema de poder pela via do golpe", afirmou.
O presidente defendeu ainda que Zelaya deve retomar a Presidência e alertou que essa é a "única condição" para que o Brasil possa estabelecer qualquer tipo de relação com o país.
"Se Honduras não revir a posição, vai ficar totalmente ilhado no meio de um contingente enorme de países democráticos", disse.
Em comunicado divulgado no domingo, o governo brasileiro já tinha condenado o "golpe de Estado" de "forma veemente".
Em uma nota emitida pelo Ministério das Relações Exteriores, o Brasil exigiu que Manuel Zelaya seja "imediata e incondicionalmente" reposto em suas funções e qualificou o ocorrido em Honduras como um "atentado à democracia".
O chanceler Celso Amorim conversou com outros ministros de Relações Exteriores latino-americanos, aos quais pediu que a OEA (Organização dos Estados Americanos) se mantenha em "sessão permanente", enquanto persistir a crise em Honduras.
Fonte: Agência Brasil / Folha Online
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